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O paradoxismo de Hartung

Uma das críticas mais incisivas do governador Paulo Hartung (PMDB) à gestão de Renato Casagrande (PSB) diz respeito à opção do antecessor de contrair empréstimos para manter o patamar de investimentos no Estado com a queda de arrecadação. 
Um pouco antes de assumir o governo, Hartung afirmou que o Estado havia perdido sua capacidade de investir com recursos próprios, e classificou como equivocada a política econômica do socialista. “Estado nenhum pode viver de empréstimos.”
Casagrande rebateu. Para o socialista, o empréstimo de R$ 3 bilhões feito com o BNDES, a uma taxa de juros pra lá de vantajosa, seria crucial para o Estado, ante o encolhimento das receitas, manter os investimentos em projetos já iniciados e garantir recursos para os futuros, caso, por exemplo, do BRT.
Esta semana, o governador anunciou um empréstimo de R$ 1 bilhão com o Banco Mundial no Brasil. O dinheiro será investido no Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem. O propósito é recuperar cobertura florestal, ampliar os serviços de esgoto e diminuir o desperdício no sistema de distribuição de água para melhorar o abastecimento.
Mérito do programa à parte, Hartung, no mínimo, está sendo contraditório em relação às críticas que fez ao antecessor. Agora fazer empréstimo não é mais uma atitude tresloucada? 
Casagrande não perdeu a oportunidade de registrar sua indignação diante da atitude paradoxal de Hartung. O ex-governador usou as redes sociais para mostrar que a estratégia de recorrer a empréstimos para assegurar investimentos em projetos estruturantes não tem nada de irresponsável, principalmente quando o dinheiro é tomado em condições vantajosas.
O socialista também aproveitou para reivindicar a autoria do projeto. Aliás, esse é outro ponto polêmico que sempre levanta faísca entre os dois. O ex-governador vem apontando que muitos resultados apresentados como conquistas do atual governo foram realizações da sua gestão. Recentemente, ele reivindicou a queda das taxas de homicídios, que Hartung carimbou como marca do seu governo.
No caso do Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem, Casagrande adverte que este é mais um projeto gestado no seu governo. “Até aqui, todos os projetos anunciados por esse governo foram feitos pela nossa gestão, e só foram concretizados devido às condições de organização que deixamos o Espírito Santo. E se não estivessem perdendo tanto tempo com paralisação de obras e cortes nos programas sociais, só para insistir na farsa do ‘estado desorganizado’, poderiam planejar investimentos ainda maiores, sem prejudicar a população”.
Casagrande também procura mostrar que o empréstimo de R$ 1 bilhão só foi liberado porque legou ao sucessor um Estado organizado e com as contas saneadas. Ele faz a pergunta provocativa a Hartung: “Alguma instituição financeira emprestaria dinheiro a um Estado quebrado?”
Aos poucos a opinião pública vai tendo mais elementos para comparar as duas gestões e avaliar se o governo Casagrande foi tão desastroso para o Espírito Santo, como diz Hartung, ou se o governador tem usado de má-fé para denegrir irresponsavelmente a imagem do antecessor. 

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