Nesse fim de semana, mais de duas mil pessoas foram às ruas em São Paulo para pedir o impeachment de Dilma Rousseff e a intervenção militar no governo. Também houve movimentações em outras partes do Brasil e um abaixo-assinado vem colhendo assinaturas para pedir o golpe nas redes sociais.
Isso mostra que a reeleição de Dilma Rousseff em uma disputa muito apertada contra Aécio Neves (PSDB) não encerrou a luta pela garantira da continuação da defesa dos projetos sociais. É preciso permanecer atento, porque a direita está sempre à espreita e qualquer oportunidade pode se tornar um perigo de retrocesso. Fala-se em uma realidade que esperava-se estivesse superada no País. Mas os riscos são iminentes.
Se há essa direita ultrarradical nas ruas, pregando ideias reacionárias, disparando contra nordestinos, negros e pobres, é porque a esquerda falhou em um ponto crucial para seu projeto de poder e isso tem muita responsabilidade do movimento sindical.
Quando o trabalhador repete um discurso que é do patrão, defendendo o capital é porque o sindicato não cumpriu sua função na formação política, na conscientização do trabalhador sobre seu papel na luta de classe. Isso é muito grave, pois abre a brecha para que o trabalhador vire massa de manobra na mão do capital.
É o que está acontecendo. A classe média que ascendeu socialmente graças aos projetos sociais do governo do PT nos últimos 12 anos, agora internaliza um discurso de ódio contra o partido. Esta classe social está sendo usada pela elite e não sabe disso, pois não tem consciência dessa realidade.
É hora de o movimento sindical entender que a luta não deve ser apenas pela pauta econômica, deve incluir a conscientização do trabalhador, deve manter o trabalhador na porta da fábrica e cobrar, inclusive, do governo petista o avanço nas conquistas sociais.
Apenas o empoderamento do trabalhador vai garantir que essa ameaça de retrocesso não avance. Se o movimento sindical continuar de braços cruzados, observando a direita tomando a rua, um espaço que sempre foi seu, vai contribuir para que esse retrocesso se concretize.
Uma vez tomando o poder a direita não vai largá-lo tão facilmente, principalmente se isso envolver militarismo. Como vem sendo dito nas redes sociais: Cobrar o regime militar na democracia é fácil, quero ver cobrar democracia no regime militar. Os dinossauros que o digam!
A luta de classe existe e está mais viva do que nunca.

