
No Espírito Santo também há movimentos de rua em formação, além do panelaço contra a presidente Dilma e Lula. Ameaçam o governador Paulo Hartung (PMDB), como já visto nos casos do Escola Viva e da pasta de Cultura. Estão em plena fermentação, o que reposiciona a Assembleia Legislativa e instiga deputados novatos para exercer o poder de crítica, a exemplo de Sérgio Mageski (PSDB), e também veteranos, como o que a Casa tornou, Enivaldo dos Anjos (PSD).
Inclusive numa hora em que Hartung não é mais um político acima do alcance das críticas. E que desfrutou, até outro dia, do controle da imprensa na difusão de suas teses mirabolantes com as quais aterrorizava as classes política e empresarial.
Navegou assim até surgirem os primeiros sinais de que o tal do crime organizado que usava como tática de intimidação tropeçou nos próprios atos dos seus governos anteriores. Não deu para escondê-los, apesar de toda a tentativa de mascará-los. No momento, ainda tenta, por meio Judiciário.
Mas os tempos caminham no Espírito Santo para serem outros. As compotas represadas da era PH transbordam, dando noção clara de que ele perdeu a condição de político imaculado com o qual escondeu os atos de seu governo.
Na Assembleia, embora ainda incipientes pelo próprio histórico nos últimos 15 anos, já há manifestações de reintrodução da democracia, numa busca de sintonia com a rua. Essa democracia, que a Assembleia de certa forma poderá colaborar, pauta-se pela nacional. E vem de vários cantos do movimento popular, exceção naturalmente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que se atrelou ao governo de PH.
Nesse sentido, vale mencionar o estrago que ela vem fazendo a uma das maiores lideranças populares da história dessa nação, que é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se ele, com todo um carisma que encantou esse país, acha-se sob ameaça das ruas, imagine um Paulo Hartung, sem carisma algum, enfrentando uma rua em via de preparação e com fome de democracia?
Interlocutores escalados pelo governador para conter a revolta nos casos da Escola Viva e da Cultura estão longe de resolvê-los. Hartung vai ter que dar as caras. Deve mirar-se no que ocorre com a presidente Dilma, evitando aparecimento público. Seus índices de popularidade foram praticamente destruídos.
Como dizem por aí, se pedissem para listar pessoas de alma democrática pura, seria possível apontar centenas de nomes de capixabas, menos o de PH.
PENSAMENTO:
“Viver numa identidade inventada não deixa de ter suas consequências”. Begley

