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O poder político mudou de domicílio

É muita ousadia do deputado estadual Marcelo Santos (PMDB) querer pertencer ao Tribunal de Contas do Estado na qualidade de conselheiro, na vaga de Valci Ferreira, em fase de exclusão pela Justiça. Por ser Marcelo, pela sua natureza política, um viciado governista, não é de interesse de PH, mas, sim, um aliado fiel para todas as intempéries. 
Isso porque o Tribunal de Contas, a partir da Lei da Ficha Limpa, por ser colegiado, passou à condição de possuir o destino da própria classe política. Qualquer rejeição de contas, leva um político a perder os seus  direitos.
O Tribunal sempre foi um campo de exercício político de Paulo Hartung. Basta olhar sua composição para se confirmar a força dele. Imagina com a Lei da Ficha Limpa… Não é sem outro sentido que o portador da carteirinha número um da Confraria do PH, Sérgio Aboudib, acabou de ser reeleito presidente. Ele vai exercer a presidência de 2018-2019, que é o período das eleições na qual Hartung anda mal das pernas. Além de ser um aliado declarado do governador, Aboudib é um privilegiado articulador.
Entrando pelo poderio no processo eleitoral, ninguém desconhece que os prefeitos são os grandes cabos eleitorais. Agora pensem, eles têm suas contas nas mãos do Tribunal de Contas. Mesma situação da Assembleia Legislativa. Apesar do Tribunal figurar como força auxiliar da Assembleia, diante da Lei da Ficha Limpa, até o seu presidente pode levar tinta do Tribunal de Contas. É um grau de poder inimaginável e PH tem grande parte dele nas mãos, basta ver os resultados dos julgamentos quando se tratam de suas contas. 
A vida política do Estado, de um modo geral, está em poder do Tribunal de Contas. Quem tem o Tribunal de Contas, tem o poder nas mãos. PH pode ou não estar saindo do governo, e ele vai querer conviver melhor com TCE do que com a classe política. 
Voltando ao Marcelo, que eu disse que é um governista nato, vocês acham que PH vai querer que Marcelo assuma uma cadeira no Tribunal com a capacidade que tem de articulação política? Aliás, o que faz muito bem. Vide a eleição de Erick Musso (PMDB) que ele comandou para a presidência da Assembleia Legislativa, e outras. Acho que não vai mesmo! Quanto mais quando está prestes a perder um aliado no Tribunal, o conselheiro José Antônio Pimentel, também às voltas com a Justiça. 
A semana ainda mostrou uma figura interessante se mexendo para arrumar uma vaga no andar de cima da política capixaba. Gilson Daniel, do Podemos, numa tentativa de “colar” na senadora Rose de Freitas (PMDB).
Ela tem se movimentado bastante neste cenário entre PH e o ex-governador Renato Casagrande, tentando construir sua candidatura ao governo do Estado, mas encostada mesmo está no prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), acreditando que com ele sua candidatura é mais fácil de ganhar altitude.
Se Gilson ainda é calouro, o Audifax é uma águia na cena política. Transita na área de Hartung, de Casagrande, onde quer. Só não chega ao deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), mas se este der folga, ele é capaz até de entrar. 
Por fim, o PT tomou uma injeção lulista para se inserir na disputa eleitoral de 2018. Falta ver quem vai lhe abrir as portas. O PSB, que seria um aliado natural, tem candidato ao governo, que é Casagrande. Rose não dá liga. PH já deu, mas hoje há decisões partidárias que inviabilizam qualquer aliança do PT com o governador.
As movimentações vão esquentar.   

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