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O preço do candidato

Um levantamento nas inscrições dos candidatos que registraram seus nomes para a disputa deste ano na Justiça Eleitoral mostra que, juntos, os candidatos a presidente vão gastar quase R$ 1 bilhão em campanha. No Estado, a soma dos cinco candidatos atinge os R$ 30 milhões. Isso se ficarmos restritos às campanhas de presidente e governador.

Os gastos milionários com campanhas eleitorais são a porta de entrada de uma discussão muito mais profunda sobre o comprometimento da classe política com apenas uma parcela da população: a elite empresarial. É para eles que os políticos governam.

O financiamento de campanha, hoje, se transforma em benesses no futuro. Contratos com empreiteiras, licenciamentos ambientais inapropriados e defesas de projetos que beneficiam determinada vantagem econômica ou estrutural para setores econômicos. Assim se paga o recurso empregado na campanha. Em vez de servir à população, o político, uma vez eleito, terá que atender aos interesses de quem o financiou.

No início do ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a discutir fim do financiamento de empresas para as campanhas eleitorais. Mas a discussão se prolongou e a regra não valerá para esta eleição. No entendimento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as empresas não têm legitimidade para a doação porque não têm direito a voto.

O Congresso Nacional também entrou na discussão e discute projeto de lei semelhante, mas os deputados federais sentaram no projeto. A decisão do Supremo também ficará para a próxima eleição. Em 2016, os novos prefeitos podem não ficar reféns de seus financiadores, já que a regra poderá valer para a próxima eleição. Mas isso também não encerra o assunto.

Há muitas formas de o poder econômico dominar o poder político e a doação de campanha é apenas uma delas. A discussão sobre essa relação só seria exposta com uma reforma política ampla, profunda, e com isso ninguém quer mexer.

Fragmentos:

1 – Para colocar mais lenha na fogueira do PR, os nomes dos suplentes do delegado Fabiano Contarato só apareceram no sistema divulgacand na tarde desta  segunda-feira (7).

2 – Se o deputado Luiz Durão (PDT), que tem fortuna de R$ 2,4 milhões é tido como Sheik, qual será o título de Theodorico Ferraço (DEM), que tem quase o dobro disso em bens?

3 – A coluna gostaria de saber quem é o corretor de imóveis de alguns candidatos, porque apartamento de frente pro mar, com mais de mil m² por R$ 600 mil, não é todo dia que se encontra uma oferta dessas.

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