Santa Teresa comemora aniversário no dia 26 de junho. Com mais uma velinha no bolo, a cidade dos beija-flores segue firme como a primeira colônia italiana do Brasil – um título reconhecido graças à documentação histórica encontrada pelo próprio Augusto Ruschi, descendente dos imigrantes.
Mas o grande presente do cientista para sua cidade natal foi, na verdade, o seu precioso Museu, fundado no mesmo dia do aniversário da cidade, em 1949, e hoje completando 70 anos. Foi lá que ele investiu seu corpo e sua alma.
Meus parabéns ao Museu Mello Leitão, no entanto, podem ser limitados até a sua idade de 64 anos, comemorados em 2013. Na ocasião, ele acumulava 37 anos de condução por seu criador, Augusto Ruschi, impondo respeito e crescendo, e mais 27 anos de sobrevivência, até ser atropelado pelo INMA em 2014 – ao invés de ter simplesmente mudado sua vinculação, do Ministério da Cultura, para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Somar é muito diferente de desmanchar algo para nascer ou para crescer. A última coisa que a obra iniciada por Augusto Ruschi precisava para crescer ainda mais era ser desmanchada por um Instituto. Acredito que o INMA também não precisava disso para ser criado. Há poucos anos o INMA se apoderou do Museu colocando-o em segundo plano, e em seguida revelou sua visão de futuro a desfigurar as obras do Patrono. Agora fala, e até sonha, em nome do cientista. Um delírio em busca de brilho às custas de um legado que ora rebaixam e outrora saúdam, gerido pelo INMA, se escondendo cada vez mais sob a sombra do indestrutível Augusto Ruschi e seu destrutível museu.
Não bastasse isso, ainda fabricam uma imagem negativa da minha pessoa. Ignoram minha inseparável relação com meu pai e com o museu que ele criou. Augusto Ruschi faz parte do meu DNA, dos meus documentos de identificação e do meu caráter. Me criei dentro do Museu Mello Leitão junto aos meus pais, brincando de cuidar dos animais na infância, e colaborando como pesquisador voluntário na graduação e na pós-graduação.
Só deixei de ser pesquisador voluntário porque nunca renovaram meu vínculo a partir de 2016. Acho que demoraram até essa dada para perceber que jamais farei vista grossa para o desmanche da obra de meu pai; o que corrobora a dificuldade que têm em interpretar meu pai. Se por um lado a Sociedade de Amigos do Museu omitiu ajuda-lo, por outro lado cresce a lista de amigos de Augusto Ruschi querendo resgatar o Museu, um valioso patrimônio de nossa sociedade.
Trata-se de um resgate cultural necessário para corrigir a grosseira criação do INMA que em seu embalo atropelou o Museu Mello Leitão desnecessariamente. Será um benefício às gerações futuras e viventes, pois além de trazer de volta o museu criado por Augusto Ruschi, marcará um grande exemplo eterno de quando zelamos pelo patrimônio de nossa cultura.
Desnecessariamente, o processo de criação do INMA sacrificou a identidade do Museu desde seu início, tramitou cambaleante, submeteu seus acervos e funcionários à insegurança, e avançou sem transparência sequer dentro da cidade de Santa Teresa, que apenas hoje começa a desvendar a equivocada confusão de que o Museu criado por Augusto Ruschi seria o INMA.

