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O PT na estrada? Qual?

O PT capixaba, é claro, também está na estrada e na direção da sucessão estadual de 2014. Sua prioridade, definida nacionalmente, é a formação do(s) palanque(s) para a reeleição da presidente Dilma. Como hoje é mais provável que o PT não venha a ter candidatura própria ao governo do Espírito Santo, restará então saber em qual estrada o partido vai caminhar com quem como candidato a governador: com Paulo Hartung ou Ricardo Ferraço do PMDB? Com Renato Casagrande do PSB? Ou com Magno Malta do PR?
 
Como se sabe, hoje a preferência de Lula e da direção nacional do PT seria pela formação de uma aliança PMDB/PT, tendo Paulo Hartung ou Ricardo Ferraço na cabeça da chapa e tendo o PT, talvez com João Coser, com a candidatura ao Senado. No xadrez nacional de Lula, o Espírito Santo é moeda de troca para a aliança preferencial PT/PMDB para a reeleição de Dilma e para a construção de sólida maioria no Senado da República. Nos estados pequenos como o Espírito Santo, a eleição do senador é tão ou mais importante, do ponto de vista da governança e governabilidade nacional, do que a eleição para governador.
 
Neste contexto, o PT capixaba é uma força auxiliar do projeto nacional do partido e uma força auxiliar, no plano estadual, ou do PMDB, ou do PR, ou do PSB. No Espírito Santo, o PT ficou menor eleitoralmente e menos relevante politicamente. Há pouco tempo, depois das últimas eleições municipais de 2012, registrei aqui neste espaço que, do ponto de vista estadual, “com exceção do período em que contou com a liderança então ascendente de Vitor Buaiz, entre 1985 e 1995, liderança esta abatida pelo próprio PT, o PT não repetiu no Espírito Santo a mesma trajetória de crescimento consistente que experimenta no Brasil como um todo há vários anos – tanto no plano municipal quanto no plano regional”. E concluía que “agora, em 2012, ele sai menor das eleições e precisa ter capacidade política para avaliar o que pode ser feito para recuperar relevância relativa na política capixaba”. 
 
O caminho da busca da relevância política passaria pelo “aggiornamento” do partido, nacional e regionalmente, o que passa também por um processo interno gradual de renovação de lideranças e da consolidação de uma situação de partido hegemônico no país. É disto que se trata: hegemonia. É esta hegemonia que Lula e os estrategistas do PT nacional articulam, começando por soldar e renovar a aliança com o PMDB e por construir palanques estaduais sólidos para a reeleição de Dilma.
 
Pois bem. A questão, agora, para o PT capixaba, é saber como o xadrez estadual pode ter sinergia com o xadrez nacional de Lula e da direção do PT. O objetivo maior, em 2014, mais do que eleger o governador do Espírito Santo, é eleger Dilma com ampla votação também no Espírito Santo e eleger o candidato a senador, do PT ou do PMDB, que venha a alinhar-se com a composição da maioria da base aliada no Senado da República. Maioria (no Senado) que hoje tem presença forte e hegemônica do PMDB e do PT.
 
Esta “equação” (reeleição da Dilma como a mais votada também no Espírito Santo + eleição do Senador para preservar a hegemonia no Senado) passa pela formação de um ou dois palanques para a candidatura Dilma no Espírito Santo. O palanque do PMDB e o palanque em que estiver o senador Magno Malta (PR). Admitindo-se, por ora e para efeito de raciocínio, que o palanque da reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) será “neutro” no que diz respeito à candidatura presidencial.
 
Para esta “equação” fechar e bater, a eventual chapa PMDB/PT teria que ter Ricardo Ferraço para governador, João Coser para vice-governador, e Paulo Hartung para senador. E teria que ter, também, a candidatura do senador Magno Malta a governador, tendo talvez um candidato do PDT a vice-governador e a candidatura do delegado de Trânsito Fabiano Contarato a senador. Alternativamente, teria que ter uma aliança do PR com o PSB, onde o PR daria o candidato a vice-governador na chapa com Renato Casagrande e também o candidato a senador ( Fabiano Contarato) 
 
Seja qual for a especulação sobre possíveis alianças e chapas, o que hoje é evidente é que o fiel da balança é o senador Magno Malta. Ele pode, inclusive, não ser e não ter candidato a governador e trabalhar apenas para a reeleição da presidente Dilma e pelos candidatos do seu ( Magno ) partido, o PR. Do ponto de vista eleitoral, o senador Malta deve ser hoje , no Espírito Santo, a liderança política que mais pode agregar peso eleitoral à candidatura Dilma. Sua presença forte nas periferias urbanas e metropolitanas e no interior será crucial para Dilma. Ela não tem e não deverá conquistar o que alguns chamam do “voto da Praia do Canto e das ilhas”, para designar aquele perfil eleitoral de classe média tradicional e classe alta (mais renda e mais escolaridade).
 
Sendo força auxiliar nos tabuleiros, o PT capixaba vai ter que avaliar bem para escolher em qual estrada vai caminhar. Se o objetivo maior é o projeto de hegemonia nacional, que passa pela reeleição da presidente Dilma, ele vai ter que se posicionar como força auxiliar, fazendo outra vez o vice-governador e preservando o que já tem na câmara federal e na assembléia legislativa. E plantando para colher em 2016, nas eleições municipais. E para voltar a ter maior capacidade eleitoral e mais relevância política nas estradas para 2016 e 2018.

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