A rua muda a vida política do país e, consequentemente, a do Espírito Santo. Como é que ficamos agora, diante dos efeitos devastadores aos partidos e políticos? Por aqui estávamos assistindo inerte a um espetáculo voltado para manter um projeto de poder montado em favor das elites capixabas, regido pelo ex-governador Paulo Hartung (PMDB), caminhando na direção de fazer os seus governadores até 2025. A apropriação do poder seguia uma cartilha própria conhecida como unanimidade, pela qual já havia feito dois governadores: reeleito PH e eleito Renato Casagrande. A dúvida na próxima escolha, agendada para 2014, estava em saber qual do dois seria escalado. A rua, que reuniu 100 mil capixabas na última quinta-feira (20), não só incapacitou os partidos como também os políticos. Se até outro dia andavam assustados com a possibilidade de disputar o governo contra o senador Magno Malta (PR), agora vão ter que se entender com a rua, que já demonstrou querer mudança e democracia. Aliás…
Por pouco o movimento da rua não pegou a Assembleia no seu habitual jogo de criar dificuldade para vender facilidade, como ocorreu com a CPI do Pó Preto.
Derrubaram
A CPI é uma necessidade para despir a poluição da Vale e da ArcelorMittal, que há décadas geram doenças respiratórias à população da Grande Vitória. Mas as empresas se livraram mais uma vez. Já os custos da rejeição da CPI só serão conhecidos quando a eleição chegar.
Agora vai
O deputado estadual licenciado e secretário de Estado de Esporte, Vandinho Leite (insatisfeito do PR), conseguiu, finalmente, romper a barreira que o impedia de entrar no PSB.
Agora vai II
E vai levar na garupa o deputado estadual Glauber Coelho (outro insatisfeito do PR), com custos para o partido do governador Renato Casagrande. Ele perde sua principal liderança em Cachoeiro de Itapemirim, a ex-vereadora e que seria candidata a deputada estadual pelo partido, Cláudia Lemos.
Agora vai III
Cotado para ser um dos mais votados para a Câmara dos Deputados, Vandinho vai acrescentar mais uma cadeira para o partido do governador, embora com algum risco para a reeleição de Paulo Foletto. E, de quebra, fortalecerá seu parceiro dentro do PSB, o prefeito da Serra Audifax Barcelos.
Contas
Interessante o processo da escolha do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. A Assembleia abriu para que outros pudessem disputar, como se estivesse, de fato, abrindo um processo democrático.
Contas II
Mas o eleitorado não mudou, continua sendo os deputados. Se é para mudar, a escolha tem que ser por concurso público. O que ocorre nessa abertura é que vários se candidataram por conta própria, apresentados pelo autor da emenda que os permitiu entrar na disputa, o deputado Hércules Silveira (PMDB).
Contas III
Pois o Hércules extrapolou: foi além do único voto que lhe pertence. Não é sem sentido que o Tribunal de Contas é coisa de país subdesenvolvido, não existe em países do primeiro mundo.
PENSAMENTO:
“A oposição é mal-humorada por principio”. Rubem Braga

