O que aconteceu com o vice-governador, César Colnago (PSDB), para aparecer a cada dia na imprensa falando uma coisa diferente? Em recente declaração ao jornal A Gazeta, aventou mil hipóteses para o desempenho dele na eleição de 2018. Entre elas, que o governador Paulo Hartung pode ser o candidato a governador, e não ele.
Como é que fica, então, o acerto que fez com PH, de que o governador sairia em abril, para que ele construísse sua própria candidatura? O mais grave é que quando isso foi acertado, Colnago vestiu a roupa de governador e saiu pelo Estado anunciando que iria assumir o governo por oito meses para construir a sua própria candidatura à sucessão.
Foi por aí de saxofone, simpático, visitando muitos municípios, com a roupagem de sucessor de PH. Será que Colnago não está aguentando o tranco de vir a ser candidato ao governo, numa hora em que circulam no mercado levantamentos que surpreendem, dizendo que PH está mal nas classes A e B? É só uma hipótese.
Entretanto, essa hipótese nos leva a indagar se será bom para Colnago, sendo candidato ao governo, trabalhar para que PH seja eleito senador. Talvez não. Mas se PH for candidato ao Senado, lógico que saberá mexer com as pedras. É um jogo de xadrez e PH sabe muito bem como se locomover dentro dele. Talvez sim.
A questão pode passar pelo fato de que Colnago não tinha noção exata do que é ser candidato ao governo e ter de cuidar dos interesses do Estado e de PH. A fofocada no Palácio Anchieta é grande. Por lá, o povo quer mesmo é ver PH no quarto mandato de governador. Que não é uma coisa fácil, como parece.
O processo eleitoral caminha para ter a senadora Rose de Freitas (PMDB) candidata ao governo, com o apoio de muitos prefeitos acostumados a ganhar dinheiro pelas mãos dela. E são os mesmos que PH não deu nem um copo d’agua. Dizer que Rose chegará ao governo, já é outra história, entretanto, a candidatura lhe é muito tranquila, pois tem mais quatro anos de mandato. A movimentação garante um lustre na imagem.
O bicho papão desse processo pode ser a candidatura do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Ele anda com a bola cheia. Enquanto PH tem descido, Casagrande tem crescido. E quando PH desce, convenhamos, Colnago desce junto.
Dá para fazer outra leitura, considerando a declaração do mesmo Colnago ao jornal A Tribuna, na qual ele diz que pode até não ser candidato a nada. Repensou em alavancar sua carreira política aliado a PH, em uma hora que ele pode não ser a melhor das companhias?
Algo realmente desparafusou na cabeça do vice-governador.

