segunda-feira, março 23, 2026
21.9 C
Vitória
segunda-feira, março 23, 2026
segunda-feira, março 23, 2026

Leia Também:

O que esperar do grupo pró-Amaro?

Há uma situação interessante neste movimento dos deputados estaduais de apoio ao nome de Amaro Neto (SD) para a disputa ao Senado. Nesse processo de restauração da imagem da Assembleia junto ao eleitor, o grupo formado por 19 deputados entregou ao presidente da Casa, Erick Musso (PMDB), o timão da nau com a qual pretendem cruzar o Espírito Santo em busca de votos nas eleições de 2018.
 
Mas nessa movimentação, aparentemente coletiva, cada um está cuidando dos seus próprios interesses eleitorais. E como fica Erick nessa história? O reduto eleitoral do presidente da Assembleia está num município (Aracruz) que tem mais eucalipto do que eleitores. O grupo faz um movimento como se Erick fosse candidato a vice numa eventual chapa com o governador Paulo Hartung (PMDB) na cabeça. 
 
Embora Erick Musso esteja conduzindo com destreza os interesses do Palácio Anchieta na Assembleia, não tem o perfil ideal para atender aos propósitos de PH daqui para 2022. 
 
Como escrevi na coluna passada, PH voltou às boas após saber que estava remido da Lava Jato. Ele passou a se sentir confiante novamente para disputar a reeleição e pavimentar o caminho para uma transição ao Senado, em 2022. Por isso a escolha do vice é tão estratégica para PH. 
 
Os vices de PH sempre foram cuidadosamente escolhidos pela lealdade e/ou porque atendiam ao seu projeto estratégico. Lelo Coimbra, vice do primeiro mandato, sempre foi um aliado mais estratégico que leal. Acabou aproveitando a visibilidade de vice para fazer carreira na Câmara dos Deputados, conseguiu se eleger em 2006 e teve fôlego para voltar em 2010 e 2014, mas já parece carta fora do baralho de Hartung. Basta lembrar da indiferença do governador à candidatura do correligionário na disputa à Prefeitura de Vitória em 2016.
 
Já o senador Ricardo Ferraço (PSDB), vice no segundo mandato, era visto como o sucessor estratégico do então governador em 2010. O vice era a liderança que poderia assegurar a transição de PH ao Senado. No início do movimento político daquele ano, o cenário sugeria a chapa com Ricardo governador e PH senador. Não fosse o acordo nacional de última hora com o PSB, intermediado pelo PT, o projeto teria vingado. O arranjo fechado por PH, porém, empurrou Ricardo para o Senado, como prêmio de consolação, e elegeu Renato Casagrande (PSB) governador.
 
O atual vice, César Colnago (PSDB), é leal e estratégico. Liderança que sabe se articular politicamente com desenvoltura, o tucano poderia repetir a chapa de 2014 com PH. A escolha, mais pragmática, poderia dar a tranquilidade necessária para PH fazer a transição ao Senado em 2022.
 
Esses três perfis nos mostram que a carga seria muita pesada para Erick neste momento político. 
 
Mas vejo hoje outro nome melhor posicionado para ser vice de Hartung nesse projeto visando a transição para 2022. O chefe da Casa Civil Zé Carlinhos da Fonseca Júnior me parece mais encaixado dentro da proposta de renovação de PH. Ele tem a estratégia do diplomata e ainda é homem de confiança do governador. 
 
Mas voltando ao Erick, se ele, em tese, não serve para este projeto de PH, qual seria o seu destino? É certo que os colegas do grupo não vão abrir mão de seus votos para reelegê-lo. O presidente da Assembleia poderia entrar na disputa à Câmara para evitar o confronto direto com os colegas. É um caminho possível, mas será que teria os votos necessários para se eleger? 
 
Uma coisa é certa, independentemente dessa jogada do grupo para lançar Amaro, Erick não será desamparado por PH. Se Hartung estiver forte em 2018 terá forças para puxar o presidente da Assembleia, como já vem fazendo nos eventos oficiais e extra-oficiais do governo. 
 
Hartung trabalha algumas lideranças jovens e ainda sem o “ranço” do político tradicional para o seu projeto de futuro. Ele sabe que precisa renovar seu grupo se quiser manter a hegemonia política no Espírito Santo. Por isso vem preparando figuras jovens como Erick ou como o secretário de Agricultura Octaciano Neto. Dentro dessa estratégia também estão os secretários Eugênio Ricas (Controle e Transparência), Júlio Pompeu (Direitos Humanos) e Roberto Carneiro (Esportes). A aliança com Amaro é diferente. É meramente circunstancial. O apresentador de TV não faz parte desse projeto futuro de PH de gestar novas lideranças. 
 
Mas será que esse grupo criado em torno de Amaro vai alcançar seus objetivo? O grupo pretende conferir protagonismo à Assembleia no processo eleitoral de 2018, mas quando os deputados “choram” na tribuna, cobrando inclusão nas ações do governo, é porque dependem do apoio de PH. Isso deixa claro que esse protagonismo do grupo que representa dois terços da Assembleia é efêmero.
 
A Assembleia tem um histórico de subserviência ao Executivo, e não é agora que os deputados vão ter força para anunciar a alforria e passar a encurralar o governador para cobrar visibilidade. 
 
A estratégia do grupo pode servir para restaurar a imagem da Casa junto à sociedade. A escolha do jovem Erick para a presidência foi com o intuito de jogar uma demão de renovação na fachada do Legislativo. Erick, o mais jovem dos deputados, faz a imagem de antagonismo à gestão de Theodorico Ferraço (DEM), como se isso representasse a troca do velho pelo novo. 
 
Por falar em Ferraço, o decano da Assembleia mostra uma impressionante capacidade de se reinventar e manter-se vivo na política, agora como opositor a PH.
 
A propósito, como fica o clã dos Ferraço com esses novos arranjos que estão se configurando para 2018? Andam comentando que Norma Ayub (DEM), desencantada com a Câmara, disputaria uma cadeira na Assembleia, trocando de posição com Ferração, que entraria na briga para federal. Ricardo segue em cima do muro: ora se esforça para se aproximar de PH; ora se distancia e se agarra ao senador Magno Malta (PR). 
 
Essa eleição de 2018 é atípica. Todo mundo está se movimentando, mas ninguém tem ideia do que a urna vai revelar. Continuo com uma certeza: a grande surpresa no campo eleitoral de 2018 continua sendo o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB). Ele ainda não revelou se disputa o Senado ou o governo. Mas tudo indica que ele deve brigar no andar de cima. 
 
O partido disposto a dar legenda para um desses projetos também é incerto. Mas com Majeski em campo o cenário é outro. Ele ocuparia o palanque anti-PH, que continua vazio. E na política, os espaços nunca ficam vazios. 

Mais Lidas