Agora ficou às claras a relação eleitoral, até então clandestina do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) com o ex-prefeito de Vitória, João Coser (PT). Quem a tornou oficial foi um dos coordenadores da campanha Dilma Roussef, Geraldo Acioly. Em visita ao Estado, ele disse ao jornal A Tribuna, que Coser está liberado para pedir votos ao PMDB, ao PSB, ou a qualquer outro partido.
A inclusão do PSB e de outros partidos, pelo coordenador da Dilma é um disfarce, pois, no que tange ao PSB e os demais partidos, Coser não tem interesse. O PSB tem candidato à presidência da República enquanto que o PMDB faz parte do governo da Dilma e está na coligação dela. Aparentemente não há sentido. A liberação tem como propósito homologar a transa eleitoral de Coser com Paulo Hartung.
Se o PMDB está com a Dilma qual necessidade há dele vir ao Estado e liberar para juntar-se? Só que aqui no Estado o PMDB tem candidato ao governo, mas esse candidato não está coma Dilma. Ele está com o tucano Aécio Neves. O que o coordenador veio realmente fazer no Espírito Santo foi exatamente abençoar o acordo clandestino, espúrio pela sua própria natureza, entre Paulo Hartung e João Coser. Qual seja, o de garantir um senador para o PT. É esse o senso de oportunismo da nacional do PT: conquistando mais um senador para criar influência no Senado.
Coser se não tivesse nessa mutreta com o ex-governador não teria condição real em eleger-se senador. Ele vai mesmo a reboque de PH. A presença do coordenador da Dilma também tem objetivo para dentro do PT em que correntes mais comprometidas com os compromissos de partido, rebelam-se com essa jogada de Coser-Paulo Hartung. E desejam realmente que o candidato escolhido para o governo do Estado seja o candidato de todos os petistas, inclusive do próprio Coser.
E não só querem como também agem nessa direção. Hoje, no Centro de Vitória, um núcleo ligado à candidatura de Perly Cipriano, que disputa a Assembleia. somado à juventude do PT, promoveu uma manifestação em favor da candidatura do PT ao governo do Estado. O candidato Roberto Carlos, no seu pronunciamento, não poupou Paulo Hartung e Renato Casagrande.
Agindo naturalmente premido por uma companhia petista que quer vê-lo competitivo, capaz de puxar votos para a Dilma e alcançar um bom resultado eleitoral, no que tange aos candidatos proporcionais e num bom desempenho do candidato ao governo do partido.
Do jeito que a disputa entre Paulo Hartung e Renato Casagrande está acirrada, com resultado para ser resolvido na boca de urna, uma votação regular do Roberto Carlos pode levar a disputa para o segundo turno. Ele não precisa nem alcançar os 25% que o PT geralmente tem no bolo eleitoral, basta aproximar-se dos 15%. Se chegar nesse teto leva a eleição para o segundo turno. Caso essa previsão se confirme, alguém vai pagar a fatura: o Coser ou o próprio Paulo Hartung.

