terça-feira, março 24, 2026
24.9 C
Vitória
terça-feira, março 24, 2026
terça-feira, março 24, 2026

Leia Também:

O salto olímpico

Sempre que acaba uma eleição, seja para prefeitos e vereadores como para os parlamentos e governo, Paulo Hartung (PMDB) vem a público montar o quadro eleitoral da próxima disputa, como se coubesse a ele cuidar do destino político do Espírito Santo. Isso ficou mais do que evidente nas entrevistas concedidas pelo governador nesse sábado (5) aos jornais A Tribuna e a A Gazeta. 

 

Em ritmo de imprensa oficial, contribuíram com perguntas para que ele pudesse encenar o cenário da próxima eleição ao governo do Estado e parlamentos. Nas partes iniciais das entrevistas, ele já se encastelou numa disputa para o Senado ou mesmo à Câmara dos Deputados, como uma espécie de necessidade do País e do próprio Espírito Santo, rifando qualquer chance de reeleição ao governo, o que deu o tom desejado da entrevista: os possíveis sucessores. 
 
Como encaminhado nas entrevistas, Hartung saindo para uma disputa para o Senado ou à Câmara, seria substituído, por força da legislação, por seu vice César Colnago (PSDB). Emendando, assim, nas perguntas se o governador o admitia como um candidato à sua sucessão, bem como o senador Ricardo Ferraço (PSDB).
 
Foi tipo botar a bola para ele fazer o gol: “Boas opções”, respondeu de pronto, emendando, porém,  que havia mais quatro nomes no governo com às nítidas condições de sucedê-lo. Mas reserva-se a só mencioná-los em ocasião própria.  Dando a burla da próxima eleição, como ocorrido  por ocasião do governo Renato Casagrande(PSB), em que ele passou o tempo todo insistindo que não seria candidato ao governo.  
 
Muitos não acreditaram, mas Casagrande acreditou piamente. Tanto que manteve até o fim de seu governo, em cargos importantes, hartunguetes de carteirinha. O ardil de agora é, portanto, o mesmo que esteve  no episódio do Casagrande, que está por aí penando para ver se consegue condições eleitorais de voltar ao governo. 
 
Só que a situação de PH, em matéria de confiabilidade política, não é a mesma de outrora. O clima para uma disputa ao governo,  por exemplo, não lhe é nada favorável. À Câmara dos deputados, com certeza. Senado? Tenho lá às minhas dúvidas, pois saiu do cenário eleitoral municipal uma pedra no caminho dele e nos demais pretendentes para o Senado: o deputado estadual Amaro Neto (SD)!
 
Aliás, nessas entrevistas, por mais que o desempenho do Amaro na eleição em Vitória tenha sinalizado que ele é o atual fenômeno político do Estado, não encaixaram nenhuma pergunta nesse sentido, embora PH tenha tocado em seu nome quando analisou os resultados eleitorais da Grande Vitória. 
 
O óbvio do óbvio político. Pois Amaro perdeu ganhando uma eleição  sozinho contra um Arca de Noé dos políticos capixabas, inclusive o próprio governador Paulo Hartung, que o teve em sua estratégia inicial (primeiro turno) de contar com os seus votos  para tirar o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), do segundo turno. 
 
Mas quando Amaro extrapolou as medições e foi para o segundo turno com Luciano, assustaram-se todos, entre eles o próprio PH. Lideranças pularam para a candidatura do Luciano, que diferente do Amaro, tem estrada para percorrer dependendo de outras forças política para ascender a patamares mais elevados.  
 
Não é o caso do Amaro, com o seu resultado eleitoral em Vitória, como  alguém fora do vocabulário dos ricos. E que trouxe à cena política uma realidade até então muito tempo fora do processo eleitoral: o embate entre pobres e ricos, como está estampado nos resultados das urnas em Vitória. Amaro ganhou na periferia e Luciano, com a sua Arca de Noé, nos bairros dos ricos e da classe média, em cima de um resultado eleitoral de empate técnico. 
 
Essa realidade eleitoral estará agora em favor do próprio Amaro para aplicá-lo em futuras disputas eleitorais. Precisando saber cuidar desse capital já agora na Assembleia Legislativa, entendendo que não cabe mais integrar uma bancada de um governo comprometido com as elites capixabas. Usando-a no tamanho dos 91 mil votos que as eleições em Vitória lhes deram, acrescidas ainda do apoio ao deputado Marcelo Santos (PMDB) em Cariacica e de Sérgio Vidigal (PDT) na Serra.
 
Não há porque Amaro ignorar que não há outro caminho para ser construído agora na Grande Vitória, com mais 50% do eleitorado, do que disputar uma das duas vagas para o Senado. A exigência é tão somente se adequar ao tamanho que chegou e saber lidar com alcateia de lobos, pois se houve um verdadeiro salto olímpico na política capixaba, foi o dele.
  

Mais Lidas