Na montagem de seu palanque, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) fez questão de escolher um aliado de longa data para compor a chapa ao seu lado como vice-governador. A relação política entre Hartung e o deputado federal César Colnago começa em meados da década de 1990, quando Hartung foi prefeito de Vitória e Colnago vereador.
Essa relação é muito importante para o cargo em questão, mais importante do que a vaga ao Senado. Uma vez eleito, o senador segue sua vida em Brasília, o vice, não. Passa a ser uma espécie de sombra do governador durante todo o mandato, substituindo-o em férias, viagens e afastamentos ou mesmo em caso de morte. Neste sentido, escolher alguém de sua absoluta confiança é fundamental.
Assim foi o primeiro vice de Hartung, Lelo Coimbra, que mantém uma relação de total confiança com o ex-governador até hoje. Aliás, é um de seus principais aliados. O mesmo não se pode dizer de Ricardo Ferraço, que hoje já não se afina tanto com Hartung. Ricardo cresceu e ganhou capital político próprio, quer voar na mesma altura ou além de Hartung. E vice que é vice tem de voar abaixo da estrela principal.
No palanque do governador Renato Casagrande, essa peça tem sido difícil de achar. Propostas existem muitas, mas o vice ideal ainda não se mostrou. E no caso dele, essa peça tem uma importância ainda mais vital. Se reeleito, Casagrande deve disputar o Senado em 2018, tendo assim que se desincompatibilizar do cargo. Neste sentido seu sucessor deve ser alguém de extrema confiança.
Em 2010, com a mudança do cabeça de chapa, Casagrande aceitou a manutenção do vice indicado pelo PT, Givaldo Vieira, mas não era o vice de seus sonhos. Tanto que nos quatro anos de governo, o petista não assumiu nenhuma pasta importante, como fez Hartung com seus dois vices em sua gestão.
Para ser o vice de Casagrande, o candidato ao cargo deverá ser fiel, leve e ter votos para ajudar na eleição polarizada. Essa deve ser a escolha mais estratégica do palanque socialista, por isso a demora.
Fragmentos:
1 – O sorriso largo do governador Renato Casagrande virou raridade. Na visita da presidente Dilma Rousseff ao Estado nessa quarta-feira (2) ele permaneceu carrancudo em boa parte do tempo.
2 – Quando será que os deputados vão passar a obedecer às regras que eles mesmos criaram para o período eleitoral? O microfone da tribuna tem sido microfone de palanque. Ou se faz prestação de contas ou se ataca os adversários.
3 – Está chegando a hora dos casamentos de última hora e os esperneios já começaram. No domingo (6), começa o período eleitoral com muita gente de cara amarrada no palanque.

