Diante da deflagração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a classe política esperava um posicionamento do governador Paulo Hartung (PMDB). Ele até divulgou nota sobre o assunto, mas na linha do nem sim, nem não, muito pelo contrário. Disse que era preciso que se decida logo sobre o pedido para dissipar a instabilidade política e econômica que toma conta do País.
Hartung vem projetando sua imagem em nível nacional, por isso, era esperado um posicionamento. O governador havia dito anteriormente ser contrário ao processo de impeachment da presidente. Mas o momento de se posicionar era ontem (4). Se entendesse que o apoio a Aécio Neves (PSDB) o impediria de se manifestar a favor d presidente, que se posicionasse na condição de oposição.
Mas ele diz que a oposição tem que descer do palanque e o governo federal tem que governar. O discurso o afasta do tucano e da presidente. Numa situação dessa não dá para ficar em cima do muro. Ainda mais para que vem reivindicando a posição de porta-vez dos governadores.
As lideranças nacionais se posicionaram. Dez governadores diversos partidos políticos e entidades da sociedade civil, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) lançaram notas de apoio a Dilma.
O governador do Rio de Janeiro, Fernando Pezão (PMDB-RJ) deu entrevista ao lado de Lula. Se Hartung disse antes que era contra o impeachment, era esperado que reafirmasse essa posição na hora que a presidente se vê no olho do furacão. É o que se espera de uma grande liderança.
Mas, mais uma vez, diante de uma situação incerta, o governador preferiu subir no muro. Preferiu o caminho da economia para sair pela tangente, dizendo que é preciso equilibrar o País. “Seja qual for o desfecho, o Brasil precisa recuperar a sua credibilidade na política e na economia, retomando o crescimento e a capacidade de emprego e renda”. Preferiu repetir o óbvio – que a economia vai mal – e perdeu a oportunidade de mostrar personalidade política.
Fragmentos
1 – Acima da disputa PT e PSDB, o deputado Sérgio Majeski segue a coerência. “Com dois bandidos da evergadura de Cunha e Calheiros (fora os comparsas), na presidência das duas principais casas de leis do país, acreditar que o impeachment de Dilma redime a nação, é no mínimo ingenuidade”, diz em sua página no Facebook.
2 – A situação do fechamento de escolas no Espírito Santo está ganhando repercussão e o Ministério Público Estadual vai ter de se posicionar, pois está sendo provocado em vários municípios.
3 – Apresentadas as emendas ao Orçamento e ao PPA vamos ver quem na Assembleia tem prestígio com o governador Paulo Hartung (PMDB) para que elas saiam do papel.

