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O terceiro turno

Passados mais de 100 dias desde a dramática vitória eleitoral de novembro, a presidenta Dilma Rousseff se mantém num silêncio preocupante diante de maior derrota do governo de coalizão liderado pelo PT – a volta do neoliberalismo à gestão da economia, entregue ao ministro da Fazenda Joaquim Levy.
 
Não bastasse o revertério econômico, Dilma viu o adversário político Eduardo Cunha (PMDB) assumir o comando da Câmara dos Deputados enquanto o aliado Renan Calheiros (PMDB) fincava pé na presidência do Senado.
 
Já o vice-presidente Michel Temer (PMDB) nem pisca diante dos boatos de que a oposição vai pedir o impeachment presidencial por conta do escândalo da corrupção na Petrobras, tema que continua comandando a pauta político-econômica.
 
Tomados isoladamente, o crescimento zero, a inflação, o déficit fiscal, a alta dos juros, o desemprego emergente e outros problemas pontuais não fariam estrago se não estivessem ocorrendo ao mesmo tempo em que se desmantela a credibilidade da Petrobras, o maior ativo do Estado brasileiro.
 
A tardia substituição de Maria das Graças Foster por Aldemir Bendine, um funcionário de carreira do Banco do Brasil, na presidência da BR foi um ato isolado cujos desdobramentos devem demorar a aparecer.  Sem dúvida, a BR é maior do que o escândalo.  
 
Não cabe reclamar da disposição do Ministério Público e da Polícia Federal em lancetar a corrupção vigente nos meganegócios da Petrobras com seus fornecedores de serviços e equipamentos, mas o empenho da Mídia em destruir a BR alimenta a hipótese de que esteja  em andamento, por uma combinação de várias circunstâncias e medidas, um cerco conspiratório global para  colocar a fabulosa companhia estatal à mercê de um processo de privatização a preço vil.
 
A redução do preço internacional do petróleo pode tornar não lucrativa a exploração dos campos do pré-sal, de onde a Petrobras já vem tirando 20% do petróleo produzido no Brasil. Por quanto tempo a BR aguentaria um prejuízo operacional na exploração do seu mais novo filé? O Tesouro Nacional não está em condições de financiá-la enquanto os países produtores de petróleo, Arábia Saudita à frente (com os  EUA por trás), nadam de braçada nos custos rasos do deserto.
 
Desde que o presidente Bush veio às pressas ao Brasil em março de 2007 sabemos que, por trás da festa em torno do sucesso do etanol de cana entre nós e do etanol de milho nos States, o que ele queria, como bom texano, era demonstrar que estava de olho no pré-sal. Ele, seu governo, seus amigos petroleiros e seus aliados no mundo árabe.
Aparentemente paralisada pela teia de aranha montada em torno da Petrobras, a presidenta Dilma “perdeu o protagonismo”, como diria um cronista moderno.
 
De fato, quem está dando as cartas é o Judiciário, na pessoa do juiz federal Sergio Moro, que mantém presos em Curitiba  diversos executivos e empresários comprometidos com as propinas no âmbito dos contratos da Petrobras. Os meios de comunicação fazem onda, como se a corrupção tivesse começado agora. Aguardemos o carnaval da denúncia contra os implicados no escândalo que é mais das empreiteiras corruptoras do que da empresa estatal colocada no olho do furacão.
 
A campanha para desvalorizar a Petrobras se alia à torcida de setores que desenvolveram um ódio radical ao PT não tanto pelo envolvimento de petistas com a corrupção, mas pelo que fizeram os últimos governos pela distribuição da renda, a valorização do trabalho e a educação das pessoas situadas na base da pirâmide social.
 
 LEMBRETE DE OCASIÃO
“O ‘reformismo fraco’ produzido pelos dois governos Lula não tem como avançar em um cenário de baixo crescimento econômico’.
Vladimir Safatle, cientista político

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