Esse cachoeirense que está por aí dando nó em todo mundo eu conheço desde os anos 60, quando iniciou sua carreira política. E sou testemunha que esse é o tipo do político que não tem currículo. Ele tem mesmo é prontuário. Eu o encontrei nos idos de 60, antes dos militares darem o golpe, na porta da fábrica de cimento do grupo João Santos, em Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), incitando os trabalhados à greve.
Novinho ainda, bonitinho, bem falante, um espírito inquietante, mas longe de um agitador de esquerda. Até porque, se havia uma esquerda forte no Espírito Santo, essa era da terra desse personagem que vamos falar daqui a pouco. Lá havia líderes de trabalhadores e atuantes e militantes políticos do estipe de um Gilson Carone (médico), que foi prefeito e atuava no MDB (que depois transformado em PMDB).
Estou falando de um septuagenário (sem qualquer intenção em diminuí-lo com o termo, pois sou da mesma geração) que tomou posse na presidência da Assembleia Legislativa pela primeira vez em 2012. O mesmo que nos anos 60 estava na porta da fábrica do João Santos, mas que depois do golpe militar (1964) migraria correndo para o lado dos golpistas.
De roupagem tirânica, incumbiu-se da tarefa de tirar a esquerda do controle da prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, que era considerada pelos militares uma cidadela da esquerda capixaba.
No decorrer dessa época, o MDB faria três prefeitos – Gilson Carone, Hélio Carlos Manhães e Roberto Valadão -, além de deputados estadual e federal. Era o mais estruturado e capaz de sustentar a oposição ao regime militar no Estado.
Antes de prosseguir, vamos identificar esse personagem especial, para aqueles que ainda não o fizeram: Theodorico de Assis Ferraço, dotado de uma personalidade voltada para aprontos e envenenamentos na vida política o Estado.
Demorou, mas ele alcançou o objetivo: virou prefeito de Cachoeiro de Itapemirim. Daí em diante, os aprontos foram desencadeando-se em cenários mais pretensiosos.
Quando, por exemplo, vestiu a roupa de algoz e partiu para cima da mesma ditadura que o criou como personagem político, no momento em que esta ensejou a conquista da prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. Na Câmara dos Deputados, onde havia sido eleito pela Arena, atacou o regime, atingindo o último de seus ditadores, o general João Batista Figueiredo.
De lá pra cá, essa lista só aumenta e, relacionar todos os casos, exigiria muito espaço. O certo é que Ferraço está aí mesmo para pousar de mestre dos aprontos, tanto que nem um tirano, como o governador Paulo Hartung (PMDB), foi capaz de derrubá-lo. O mesmo também não conseguiu, ou nem tentou, o antecessor, Renato Casagrande (PSB) – ao contrário, presenteou-o com os períodos de presidente da Assembleia.
É o tipo de político que só acaba se, junto, acabar a política. Ou seja…

