Quem leu as declarações do presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) aos jornais A Gazeta e A Tribuna nesta quinta-feira (27) teve a impressão de existirem dois Theodoricos. No primeiro jornal, ele fala em manutenção da harmonia entre os poderes, da reunião com o procurador-chefe do Ministério Público, Eder Pontes, que a relação é boa e etc.
No segundo jornal, o demista pede respeito e promete uma “resposta” à denúncia do órgão ministerial, que denunciou ele outros deputados e ex-deputados de empregarem funcionários-fantasmas em seus gabinetes. Só quem conhece Ferraço sabe que o verdadeiro é aquele que deu declarações ao jornal A Tribuna.
Faz parte de seu perfil a política do “bateu-levou”. O deputado, que no passado foi o responsável por uma série de denúncias que culminaram em uma grave crise política no governo José Ignácio, não é de levar desaforo para casa.
Recentemente ele apareceu na CPI da Sonegação, com sua emblemática pastinha, cheia de papéis, para disparar contra o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, a quem acusa de “armar” uma manobra contra ele, referindo-se à Operação Derrama. Quando atacado, Ferraço reage e bate forte.
Nas movimentações políticas, ele também sabe o momento de mergulhar e o momento de bater o pé. Foi dessa forma que chegou ao terceiro mandato à frente da Assembleia. Assumiu a cadeira de presidente com a ida de Rodrigo Chamoun para o Tribunal de Contas do Estado, ainda no primeiro semestre de 2012 e de lá não saiu mais.
Quando chegou a nova eleição, bateu o pé dentro do gabinete do ex-governador Renato Casagrande e permaneceu na Mesa. Com o fim da legislatura, não poderia mais ser reeleito, nada que ele não pudesse resolver, articulou com os aliados no plenário da Casa uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garantiu a recondução com o fim da legislatura e está lá, sem ser incomodado.
Quer dizer, estava, já que uma denúncia de abrigar funcionários-fantasmas não é pouca coisa. Ferraço, aliás, vive momentos de inferno astral, já que o retorno do prefeito Luciano Paiva (PSB) ao comando do município de Itapemirim, também não deve ter agradado em nada o presidente da Assembleia, que hoje tem um olhar muito mais cobiçoso por Itapemirim do que pela grande e problemática – economicamente falando – Cachoeiro de Itapemirim, sua base principal.
E assim Theodorico permanece na vida política do Espírito Santo há mais de 50 anos, dando nó em pingo d’água e deixando um grande ponto de interrogação na cabeça de aliados e, principalmente, de quem acredita colocar um obstáculo em seu caminho.
Fragmentos:
1 – A atuação do vice-governador César Colnago (PSDB) no projeto da “Ocupação Social” ou está bem devagar ou não está conseguindo a visibilidade que deveria. Oito meses – quase nove – depois do início do governo e nada sai do papel.
2 – O deputado federal Max Filho (PSDB) tem pedido votos no Facebook para o Prêmio Congresso Em Foco, que como objetivo destacar os melhores parlamentares do Congresso Nacional, e estimular a sociedade a participar ativamente da vida política.
3 – O deputado estadual Marcelo Santos (PMDB) voltou a bater na tecla da necessidade do retorno do aquaviário na sessão dessa quarta-feira (26), mas nos meios políticos e entre os usuários do sistema Transcol a esperança é mínima de que isso aconteça no atual governo.

