O senador Ricardo Ferraço (PMDB) protagonizou nas duas últimas semanas mais um episódio que poderia lhe trazer um capital político relevante, mas teve um desfecho diferente. O senador era um nome cogitado para enfrentar Renan Calheiros (PMDB-AL) na disputa pela presidência da Casa, mas não conseguiu musculatura.
O senador afirmou à imprensa que nunca teve a pretensão de ser presidente do Senado. De fato, não. Embora esteja muito bem acomodado em Brasília, as pretensões do senador se voltam para o Palácio Anchieta. Antes mesmo de Hartung, foi ele a decretar a morte da unanimidade.
Tentou se viabilizar como o candidato do PMDB, mas esbarrou na articulação de Hartung como postulante à vaga. Aí ensaiou o apoio ao ex-governador Renato Casagrande (PSB) e foi enquadrado pelo PMDB, tendo que voltar ao palanque de Hartung e apoiá-lo ao governo.
Nos próximos quatro anos, o senador terá que encontrar uma forma de aumentar seu capital político. O Senado é um instrumento que facilita a disputa ao governo, os últimos três governadores do Estado seguiram esse caminho. Mas será preciso mais do que ocupar a cadeira para isso.
O senador Renato Casagrande conseguiu representar o Estado ao lado da ex-deputada Rita Camata (PSDB) na lista dos cem cabeças do Congresso Nacional, uma relação feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que aponta anualmente os parlamentares mais influentes em Brasília. Desde a saída dessas duas lideranças do Congresso, porém, o Estado não tem uma representação de peso no Congresso.
Esperava-se que Ricardo Ferraço fosse o capixaba da lista, mas até agora nada. Sem conseguir a força por lá, o senador terá grandes dificuldades para se viabilizar para 2018. Ele fica dependente de Hartung e do pai, Theodorico Ferraço (DEM).
Um caminho passaria pela possibilidade de Ferração abrir mão da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, o que também acalmaria os ânimos do PT, em troca de uma articulação em favor da candidatura do filho na sucessão de Hartung.
Mas ser um nome de expectativa na corrida palaciana não é bom. O ideal seria que ele pudesse criar seu próprio capital político para se viabilizar, mas aí teria que quebrar algumas algemas.
Fragmentos:
1 – E de repente, o Espírito Santo descobre que existe poluição atmosférica em níveis insustentáveis e que a água pode acabar, sim. Tudo isso ao mais novo “ambientalista” do pedaço, o governador Paulo Hartung (PMDB).
2 – Logo Paulo Hartung que não mediu esforços para atrair grandes empreendimentos industriais para o Estado, que poluem o meio ambiente e demandam de muita água agora adota um discurso verde. Quem diria!
3 – Será que os tucanos – os de verdade, não os de situação – estão satisfeitos com o espaço que o governador Paulo Hartung tem dado ao PT em seu governo?

