É incrível a capacidade deste governo de pôr em pé embalagens vazias. A proeza só é possível com a ajuda da imprensa corporativa, que transforma ações incipientes em “grandes programas”.
Nesta segunda-feira (11) o governador Paulo Hartung (PMDB), em reunião com sua equipe, tornou a enaltecer a política de austeridade adotada nesse primeiro ano de governo. Ele fez questão de destacar que mesmo com os cortes conseguiu fazer entregas importantes em áreas consideradas prioritárias: saúde, segurança e educação.
Entre as entregas, Hartung destacou o Ocupação Social, dando ao programa a conotação de algo pronto, testado e consolidado. Podemos afirmar que, praticamente, o programa não existe. O programa Ocupação Social não passa de uma peça meramente ilustrativa, que enfeita a vitrine do governador ao lado do Escola Viva, outra intrujice do governo.
Desde a campanha, Hartung vem anunciando o Ocupação Social como a versão “bem-acabada” do Estado Presente, implementado pelo seu antecessor, Renato Casagrande (PSB).
A política austera do governo — que cortou até combustível das viaturas de polícia — manteve o Ocupação Social gravitando no campo virtual. Afinal, falar do programa como algo palpável sai mais barato que colocá-lo em prática. Hartung, porém, sempre se referiu ao programa, durante todo o ano de 2015, como uma ação concreta, definitiva e mesmo bem-sucedida. Estamos nos referindo a um programa que nem começou.
Exagero? Pergunte ao Google. Ao digitar na busca “ocupação social espírito santo”, o resultado lista as ocorrências, conjugando o verbo referente ao programa sempre no tempo futuro. Há uma avalanche de conteúdos publicados para manter a versão virtual do programa viva no imaginário coletivo da população como algo concreto.
A sensação que as notícias passam é que o programa está em pleno vapor, bombando mesmo: “O Programa de Ocupação Social do governo do Espírito Santo vai priorizar…; Novas etapas na pesquisa do Projeto Ocupação Social…; Ocupação social para reduzir índices de violência em Vila Velha…; Ocupação Social é apresentado a secretários…; Seis bairros do Ocupação Social começam a ser mapeados…; Aviso e Interlagos devem receber Ocupação Social…; Ocupação Social chega ao interior…; Sul do Estado vai receber o Ocupação Social…; Hartung defende ocupação social para barrar violência…”
Essas notícias foram marteladas durante todo o ano 2015 pelo governo. Mas, de fato, o programa começou a sair do papel, timidamente, só no finalzinho do ano passado. O piloto do programa teria começado por São Torquato, Vila Velha. Mas, até o momento, segundo lideranças locais, o governo fez somente o trabalho de pesquisa/levantamento. O próximo passo seria a fase de treinamento, que recebe o nome chiquetoso de “coaching”. É quando os jovens da própria comunidade recebem capacitação para o trabalho de intervenção junto a outros jovens das áreas classificadas como vulneráveis.
O estardalhaço é grande e o resultado é tímido, mas o governador não quer nem saber. O importante é incluir o programa como mais uma importante entrega na área segurança e divulgar que, mesmo com os cortes, o governo não está esquecendo de olhar para a área social, tão negligenciada nos seus dois primeiros governos. Neste terceiro mandato, vai continuar negligenciando, como já está fazendo, mas com o cuidado de manter em pé as embalagens vazias à custa de uma boa estratégia de marketing.
Espremendo 2015, se percebe que o governo pouco ou nada fez na área social. Uma unidade-piloto do Escola Viva — havia prometido entregar cinco até o final de 2015; um mapeamento do Ocupação Social, também piloto, que efetivamente ainda não tem nenhuma ação concreta. Falta falar da saúde. Ah! Essa os capixabas que (infelizmente) dependem da rede pública conhecem muito bem. Dispensa comentários.

