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Ocupando espaço

Quando assumiu o mandato de deputado estadual, em 2015, com uma postura crítica ao governador Paulo Hartung (PMDB), e especialmente à sua política educacional, o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB) assustou os meios políticos pela forma incisiva e qualificada que o fazia. Isso vindo de um deputado eleito na base do governador, porém, criou a expectativa de que fosse um “voo de galinha”.
 
Seja por pressão do partido, seja pela forma pouco diplomática com a qual o governador e seu grupo tratam críticas, a expectativa era de que Majeski acabasse entrando no jogo. Mas isso não aconteceu e o tucano agora passa a um novo patamar nesse enfrentamento, estabelecendo-se como o nome da oposição na Assembleia. Uma oposição que não pode ser alcançada pelo discurso maniqueísta, não pode ser desqualificada pelas colocações e que aos poucos deixa de ser um incômodo para se tornar uma ameaça real ao governador.
 
Quando sai do campo do discurso e ações locais, e faz uma denúncia sobre uma pedalada do governo do Estado nos recursos que deveriam ser aplicados na educação, com aval do Tribunal de Contas, o deputado passa a uma ação prática e eficiente, que põe em xeque o que deveria ser o projeto de vitrine do governador Paulo Hartung para 2018. A ideia de que o peemedebista chegaria ao ano eleitoral com o cofre cheio, depois de receber o Estado quebrado e com um projeto de educação que serviria de modelo para o País.
 
O governador agora vai ter de lidar com o fato grave de não ter aplicado o índice constitucional da educação, usando um subterfúgio – incluir os recursos dos inativos – para chegar aos 25%. Essas respostas enviesadas que são dadas e engolidas pela imprensa capixaba, de que não fez e pronto, não convence mais. Pelo menos não convenceu à Procuradoria Geral da República.
 
Para arrematar, na sessão dessa terça-feira (2), Majeski reivindicou a criação da liderança da oposição, posto que, aparentemente, deve ser ocupado por ele mesmo, o que pode favorecer, ainda que indiretamente, uma aglomeração de apoios e estabelecer um espaço de confronto com o grupo do governador na Assembleia e fora dela.
 
Como escreveu Rogério Medeiros em sua coluna no fim de semana, em Século Diário, o deputado precisaria criar esse espaço de enfrentamento. “O deputado precisa urgentemente ocupar o espaço aberto por ele mesmo. Se ele não ocupar, vai causar uma frustração enorme no seu eleitorado, que já não deve ser pequeno a essa altura. Esses eleitores que estão em busca de algo novo na política veem em Majeski o produto mais próximo desse perfil dos sonhos”, disse.
 
O tucano parece ter entendido a mensagem e agora se posiciona como uma liderança em condições de fazer aquilo que a classe política capixaba parece não ter tido coragem durante todo o governo de Harung, Casagrande e novamente Hartung, questionar o que está sendo feito, de forma crítica e embasada. A briga vai ser boa e pelo silêncio dos deputados na sessão dessa terça, o governador vai ter de se defender sozinho.
 
Fragmentos:
 
1 – Os interlocutores do senador Magno Malta (PR) garantem que não foi ele quem se afastou de Ricardo Ferraço (PSDB) após a denúncia de que teria recebido recursos da Odebrecht para campanha e sim o tucano que quer se proteger. Mas há controvérsias.
 
2 – O prefeito de Vila Velha, Max Filho, sancionou o projeto de lei de autoria do vereador Reginaldo Almeida (PSC), que garante o aleitamento materno em estabelecimentos públicos e privados na cidade. Triste é precisar de uma lei para isso.
 
3 – A deputada Luzia Toledo realiza uma audiência pública para debater a qualidade da merenda escolar ofertada nas escolas estaduais e propor que as prefeituras cumpram o mínimo de 30% de recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para a compra de produtos da agricultura familiar. A audiência será nesta quinta-feira (4), no Plenário da Assembleia.

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