A 16 dias do final do ano e faltando uma semana para o início do recesso parlamentar, chama atenção o cenário das sessões plenárias e das Comissões Permanentes da Assembleia Legislativa. Como registrado sempre nessa época, os deputados correm contra o tempo e pressionam para aprovar pacotes de projetos em regime de urgência, sem discussão ou análise, pois tudo já vem costurado do Palácio Anchieta, restando à Casa apenas carimbar.
Esse quadro, que foge dos parâmetros da política responsável, tem sido a marca peculiar da atual legislatura, que sepulta toda e qualquer postura contrária aos desejos do Poder Executivo. Uma análise para aprimoramento de um projeto, estranhamente, é olhada como oposição com alto grau destrutivo. Equivocam-se os que assim pensam, e eles são a maioria no legislativo estadual.
Único deputado declaradamente de oposição ao governo Paulo Hartung, Sergio Majeski (PSDB) é voz quase isolada na Casa e enfrenta fortes reações às suas posições, apesar da incontestável contundência. Seja manifestando uma simples opinião ou criticando medidas do próprio legislativo ou do governo, o tiroteio é garantido.
Um exemplo mais recente ocorreu nessa semana, com as declarações do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) contra o projeto apresentado por ele para redução de comissionados na Assembleia. Neste caso, os disparos foram em nome do coorporativismo. Mas obedeceram exatamente a mesma estratégia. Vindo de Majeski, qualquer ação soa como uma afronta.
Para além do que o projeto defendia e da importância da divergência de ideias, Enivaldo tratou logo de tentar liquidar o deputado do PSDB. Acusou-o de denegrir a imagem da Assembleia e “jogar para plateia”.
Mas não foi sempre assim. No início desta legislatura, Enivaldo e Makeski dividiam o restrito campo crítico da Casa. Com histórico combatente e discursos duros, Enivaldo chegou a protestar diante da ação do governo para barrar a formação de blocos independentes: “É o mesmo que usar um canhão para matar um mosquito”. A ofensiva do governo continua a mesma, mas Enivaldo, nem tanto!
Para dentro ou fora da Assembleia, os deputados têm autonomia e devem não só se posicionar como apresentar leis que consideram de interesse público. Embora a classe política insista em negar, o contraditório é inerente da democracia. O que o Espírito Santo precisa, na verdade, é de mais “Majeskis”.

