Em 2003, durante o Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sob a presidência de Luiz Marinho, hoje prefeito de São Bernardo do Campo, ficou definido como proposta fundamental a implantação das Organizações de Local de Trabalho (OLT).
A OLT é a organização de grupos dentro das empresas para comandar as articulações com as categorias, sobre as questões trabalhistas, levantando ponto por ponto diretamente com o patrão. Ao sindicato caberia apenas a costura final dessas conversas e, a deflagração dos movimentos paredistas, caso não houvesse avanço nos embates.
Mas os sindicatos não toparam. Talvez pelo excesso de poder que hoje as entidades têm. No governo Lula, os recursos chegaram fartos aos sindicatos. Eles não precisam nem de sócio. Então, permitir as conversas mais localizadas significaria descentralizar o poder. E isso as lideranças sindicais não querem.
Nesse sistema também havia um risco muito grande para a perpetuação das atuais direções. Isso porque, com essa negociação direta, novas lideranças entre os trabalhadores iriam surgir. Lideranças que seriam reconhecidas pela categoria no chão da fábrica, ameaçando direções que se perpetuam no poder.
Mas o que se vê é o contrário, as dinâmicas atuais que mantém os mesmos grupos à frente dos sindicatos desidrataram as categorias, afastou o sindicato das empresas e permitiu que o poder econômico tomasse conta do movimento sindical. Neste sentido, em muitos casos não há lideranças para substituírem os atuais grupos, como é o caso do Sindfer que vai reeleger o mesmo grupo para o sexto mandato.
Enquanto os sindicatos não dividirem o poder, buscando a formação de novas lideranças e negociando com o capital de forma mais agressiva, dificilmente veremos avanço no movimento como um todo.
É hora implantar a OLT!

