“Nós, poetas, odiamos o ódio e fazemos guerra às guerras”
Sem alardes e grandes manifestações públicas, 21 de março está consagrado como o Dia Internacional da Poesia. Ave, Poetas! Ainda dá tempo de pegar um lápis e rabiscar um poema, mesmo de pé-quebrado: ‘Seus longos cachos, Madalena/parecem cobras, oh, que pena!’ A data foi criada pela Unesco com o objetivo de “dar novo reconhecimento e impulso aos movimentos de poesia nacionais, regionais, internacionais”.
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Mas nem todos adotaram a mesma data. O Brasil escolheu o dia de nascimento de Carlos Drummond de Andrade como nosso Dia da Poesia. Ele merece, mas acho que nos unirmos em uma data internacional seria mais apropriado. Alguns países celebram o Dia do Poeta em 20 de outubro, em homenagem a Ovídio, um dos grandes poetas da antiguidade.
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Ah, os poetas! Sempre com a cabeça no ar, sonhando amores impossíveis, a mente atribulada por métricas e rimas. Um amor correspondido não dá bom poema – se o poeta não sofre, não é poeta. O romano Ovídio era de família rica, e o pai queria que fosse advogado – algo parecido com os dias atuais? Ele bem que tentou: “Me perdoa, pai, posso jurar/que nunca mais vou versejar.” O que a poesia perderia!
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De poetar morreu um louco, diria algum velho ditado. Certo que a poesia não enche barriga, não compra agasalho no frio e anda um tanto fora de moda. O noticiário só dá más notícias, os filmes modernos se banham em sangue. Quem dentre vocês procura poesias nos sites de busca da internet? No entanto, poetas abundam por toda parte, mal lidos e mal pagos. Bem persistem!
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Ao escrever A Divina Comédia, Dante Alighieri inventou a língua italiana. Mas foi também prático: “Há um segredo para viver feliz com a pessoa amada: não tentar modificá-la”. Pablo Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura com suas poesias. Ele disse: “Nós, poetas, odiamos o ódio e fazemos guerra às guerras.” Tão apropriado para o momento atual, quando os senhores do mundo criam guerras como quem inventa um novo joguinho online.
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A poesia usou fartamente todos os temas, mas se lambuzou nas dores do amor. Fernando Pessoa: “Amor não se conjuga no passado/ou se ama para sempre/ou nunca se amou verdadeiramente”. Cecília Meireles: “Tenho fases, como a lua, fases de ser sozinha/fases de ser só sua.” Miguel de Cervantes: “Dançam as ciganas/o rei as olha/a rainha com ciúmes/ manda prendê-las”. Aos poetas, de hoje e de sempre: Continuem poetando (o corretor mudou para “postando”).

