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Os dois lados da mesma moeda

No mês de abril a Câmara dos Deputados aprovou uma medida provisória que pretende garantir que o trabalhador comprometa mais 10% do seu salário para pagar a fatura do cartão de crédito, já descontado em folha de pagamento.

Se aprovada, essa nova medida será somada à margem estipulada pela Lei 10.820/03, para o desconto na folha de pagamento, denominado crédito consignado, que é, geralmente de 30% do valor do salário ou do benefício previdenciário, conforme Artigo 1º, “§ 1º O desconto mencionado neste artigo (…) até o limite de trinta por cento”.

Com isso, o teto de endividamento a ser utilizado na contratação de empréstimos e financiamentos, com autorização de descontos em folha de pagamento, passará de 30% para 40%.

O empréstimo consignado é apontado como fácil, rápido e seguro, tornando-se o mais popular, por também ser mais “barato”. Há vantagens como a de estar atrelada a folha de pagamento de trabalhadores, de segurados em gozo de benefícios previdenciários, como aposentados e pensionistas e, mediante a comprovação de renda.

Sobre o acesso facilitado, há simuladores na internet e opções de contratação online ou com saque imediato no banco de relacionamento. Bom ou ruim?

Pensando no impacto do acesso facilitado e, em tempos de crise econômica, com a perda do poder aquisitivo encontramos uma conta perigosa, principalmente, porque muitos brasileiros não se consideram educados financeiramente.

No cenário atual há o aumento nas despesas básicas, por exemplo, com alimentação, medicamentos, luz e água, aumentando o custo de vida. Além disso, acumulamos aumento no custo de crédito e na inflação. Assim, com as despesas ultrapassando a renda mensal, as excedentes passam, geralmente, a serem lançadas no cartão de crédito para pagamento futuro, integral ou parcelado e, com os juros dos cartões de crédito subindo (em média, mais de 12%), esse aumento na margem do crédito consignado, para pagar a fatura do cartão de crédito será bem vinda, já que o juro do crédito consignado está em 3,5%.

E no contra, será menos 40% da renda disponível mensalmente, o que poderá comprometer a sustentabilidade financeira e o futuro de aposentados e pensionistas que contarem apenas com os seus benefícios, sem terem outras atividades remuneradas para compor esta renda.

Mais ou tão importante quanto ampliar o crédito é garantir antes a disseminação de educação financeira a todos, porque para lidar com dinheiro é preciso zelo e planejamento.

São dois lados da mesma moeda!


Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br

https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

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