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Os dois lados da moeda

Nas saídas das highways que cortam a cidade e deveriam facilitar nossas idas-e-vindas diárias de vez em quando tem um ou outro homeless, vulgarmente chamado indigente, pedindo ajuda. Os termos mendigo e esmola não se aplicam bem a essas pessoas, que geralmente são fortes e não andam sujas nem esfarrapadas, muito pelo contrário. Encontrar crianças mendigando pelas ruas? Nem pensar!  
 
Hoje lá estava um jovem com um cartaz de papelão escrito “Deus agradece sua ajuda”.  Em nada diferia ele dos outros que às vezes aparecem, pois não fazem ponto diário e nenhum é dono do pedaço.  O que chamava a atenção, porém, é que no outro lado do cartaz que ele carregava dava para se ler, bem visível, outra frase, “Odeio Vocês”. Em que momento ele viraria o cartaz, mostrando a outra mensagem social?
 
Acho que nem precisa, pois mesmo não virando o cartaz, ele se movia de um lado para o outro, e quando mudava de lado, a frase ficava bem legível, mesmo que só uma parte dela aparecesse. E  temos a história de sempre –  se você ajuda, está incentivando a mendicância e o ócio, mas se não ajuda, ele te odeia e vai te assaltar em alguma outra esquina. Como discernir o joio do trigo, quem realmente precisa de ajuda?
 
Tive uma professora em Alegre que todos os dias dava uma moeda a um bêbado contumaz, sempre parado na porta do colégio. As pessoas a recriminavam, “Vai gastar tudo em cachaça”, ao que ela respondia, “E que outra alegria ele tem na vida?” Claro, era um velho e não aparentava estar cm boa saúde. Os mendigos aqui nunca não são velhos, porque depois dos 65 o governo dá uma pensão mensal.
 
O mendigo de hoje é jovem, tem boa aparência e  com certeza boa saúde. Obviamente é latino, mas por certo não cubano, que esses têm associações de apoio e não andam mendigando pelas ruas. O que o levou às saídas das highways, pedindo (ou ameaçando) ajuda? Habitualmente  os homeless escrevem em seus cartazes, “Trabalha-se por comida”, mas não esse. Até a humildade de um agradecimento ele empurrou para outrem, Deus agradece, não eu.
 
A cidade tem muitas associações de ajuda aos sem-teto, e a mais conhecida é a Homeless Voice. Eles dão camisas e canecas com o slogan da entidade, e os pedintes ficam nas saídas das highways distribuindo um jornalzinho, o Homeless Voice Newspaper. De acordo com o site da entidade, esse jornal tem a função de dar emprego temporário aos desempregado e levantar fundos para seus abrigos.
 
Querem também educar o público sobre os desempregados e sem teto, mas ainda não vi ninguém abrir o vidro do carro e pegar um jornal. De acordo com o site da associação, seus restaurantes servem 45 mil refeições por mês, e ajudam 500 necessitados por dia. No Brasil, a Bolsa Família da Dona Dilma diminuiu a mendicância?
 
Você sabia? A Copa do Mundo dos Sem-Tetos é um torneio internacional com equipes formadas por pessoas desabrigadas. Mas como comprovar que o jogador é mesmo um sem-teto?  Definitivo ou temporário? O Brasil já ganhou duas vezes, oque não me surpreende, uma vez que não nos falta  quem jogue futebol, não importa em que situação social. Para o evento de 2011, em Paris, foi montada uma arena em baixo da Torre Eiffel. Mais social, impossível.

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