Em um antigo filme do Oscarito (quem ainda se lembra?) alguém lhe pergunta como passou a noite e ele responde, Dormindo. Um felizardo, pois de acordo com as estatísticas, a maioria dos humanos sofre algum tipo de insônia. Não há estatísticas sobre os animais, mas já ouvi muita gente reclamando que seu cachorro também… Quanto ao sono mais longo de que se tem notícia o campeão é o da Bela Adormecida, que durou 100 anos.
A insônia é mais um entre os muitos efeitos colaterais de nossa vida sedentária. Um estudo da Fundação Nacional do Sono (National Sleep Foundation) revelou que 40 milhões de americanos sofrem pelo menos uma das 70 modalidades de insônia. Nem sabia que existiam tantas. Mas nem tudo está perdido – 67% das pessoas que praticam pelo menos uma hora de exercícios físicos por dia tem uma boa noite de sono, enquanto apenas 39% dos preguiçosos conseguem alcançar esse nirvana.
A falta de tempo ou o mau tempo não são desculpas – pesquisas mais amigáveis garantem que basta uma caminhada diária de apenas 10 minutos para melhorar sua noite de sono. A ioga também é um santo remédio. Sejam longos ou curtos, moderados ou exagerados, os exercícios aumentam a duração do sono e melhoram o sono REM – a fase responsável pela fixação das experiências na memória.
Outro que não dorme no ponto, o Instituto Nacional da Saúde (National Institute of Health), nos ensina que a insônia crônica ou severa afeta 10 a 15% dos adultos: 60% não dorme pelo menos duas noites na semana, enquanto 40% tem ocasional dificuldade em dormir. Enfim, parece que tem muita televisão ligada noite a dentro.
Perco o sono preocupada com a insônia, porque traz riscos para a saúde. Dormir pouco ou mal prejudica o comportamento, o modo de pensar e armazenar lembranças, o desempenho no trabalho e no estudo. Também afeta a memória operacional, que faz a conexão entre as informações recém-adquiridas e as já aprendidas, mantendo os dados ativos para processamento posterior. E suporta as funções cognitivas, como tomada de decisões e raciocínio.
E como nem todo sono é igual, embora os especialistas insistam na necessidade de oito horas de sono, as pessoas têm relógios biológicos diferentes, e algumas podem viver bem com muito menos. E quem diria, aquela dormidinha depois do almoço, a famosa sesta, reduz em 37% o risco de mortalidade por problemas coronários. Portanto, espero que a coluna de hoje lhe dê muito sono.

