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Os que têm fome de Justiça

O padre Cesar Garcia de Goiânia está afastado de suas atividades sacerdotais por ter participado do casamento de seus dois amigos, os arquitetos Léo Romano e Marcelo Trento. Na ocasião, envolvido pela cena romântica, cheia de amor, o padre Cesar abençoou a união. O fato chegou até a os ouvidos do arcebispo D. Washington Cruz, que apurou o caso.
 
A situação beira o autoritarismo e a intolerância, já que Cesar Garcia não celebrou a liturgia do casamento e sim proferiu uma benção, evocando a presença de Deus e sem seguir nenhum ritual do matrimônio. Uma benção que, segundo ele, pode ser proferida em qualquer situação, a qualquer um e em qualquer ambiente.
 
O casamento igualitário, que foi aprovado pelo Supremo Tribunal Federal e confirmado pelo Conselho Nacional de Justiça, é apenas um ato civil, nada tem de religioso. Aliás, essa questão dogmática fica a cargo de cada religião, se aceita ou não. No caso da igreja católica, apesar de o Papa Francisco ter já, em várias ocasiões, se manifestado sensível ao assunto, chegando mesmo a dizer que não se sente confortável com a intolerância e estigmatização dos homossexuais por sua igreja, reconhece o direito da diversidade sexual a benção e a manifestação de religiosidade, o assunto ainda é controverso devido ao conservadorismo atávico que a cega para o novo e a prende nos grilhões medievais.
 
Essa problemática Estado versus religião – Políticos religiosos versus laicidade constitucional, vem permeando o debate democrático no mundo, principalmente quando envolve a diversidade sexual. Os direitos civis buscam diminuir diferenças e suprimir privilégios. A isonomia, igualdade de direitos, é prevista na constituição brasileira e tópico fundamental na declaração universal dos direitos humanos.
 
Os LGBTs (Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) formam uma minoria extremamente vulnerável, que precisa sempre ser protegida e destacada, por estar sempre frente à violência, física e moral, vitima da opressão social. A religião, infelizmente, é a grande responsável por esse preconceito.
 
Justamente a religião que fala de amor e inclusão em sua teoria, se mostra na pratica o inverso. Segregacionista, preconceituosa e pouco interessada na verdadeira caridade, vem ao logo dos séculos como propagadora de divisões e subserviente do poder econômico, buscando na política a dominação. Assim, serve de disfarce para a falsa moral e a manifestação de ódio que sempre está presente nas atitudes dos fundamentalistas.
 
O fundamentalismo religioso é um cancro social. Hoje se sustenta na ignorância e na ambição de quem espera, na bajulação divina, alcançar bens terrenos. Essa é a realidade da “Teologia da prosperidade”, que diviniza a submissão ao mundano materialista, com palavras que pactuam com a personificação do mal, nos próprios livros religiosos “O Diabo” – “Tudo te darei se prostrado me adorares”. E passam por cima do que há de mais sublime na filosofia de qualquer religião: “O amor ao próximo”.
 
Pense bem! Existem os falsos profetas que só esperam de você o voto, que só te usam para enriquecerem a custa de dízimos e barganhas de indulgências de um falso deus. Que enchem os templos e os bolsos com sua ingenuidade, passando por cima do bem social e conspurcando a máxima que diz – “Felizes os que têm sede e fome de justiça, pois serão saciados”. Nós, os LGBTs, estamos cansados de tanta perseguição religiosa, mas não esperamos passivos pela imolação em falsos altares, e sim reagimos e lutamos para sermos saciados de justiça.

Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

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