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Osso duro

O governador Paulo Hartung (PMDB) passou oito anos de seu governo anterior sustentando seu discurso em um samba de uma nota só. O governo não era julgado porque promoveu a faxina ética. Sob qualquer tipo de ameaça de discussão de sua gestão, sacava-se da manga a necessidade de estarmos atentos, pois o crime organizado estava à espreita. 
 
Tratava-se de um inimigo abstrato, sem rosto, sem endereço, que tinha vários tentáculos, mas que no final das contas, não se mostrou. Enquanto isso, o número de vagas nas escolas de ensino médio decaiu, assim como a nota nacional. O Brasil foi denunciado na Organização das Nações Unidas (ONU) por tortura, e uma empresa de comunicação teve sua central telefônica grampeada, assim como oito advogados. 
 
Na saúde, não dá para dizer nada, já que a imprensa era proibida de entrar nos hospitais públicos. Bom, a imprensa é um caso à parte no governo Paulo Hartung, afinal, ela – ou melhor, parte dela –, também é responsável, pois não cumpriu o seu papel de apontar as incoerências existentes e evidentes. Tudo com vista grossa diante da gorda verba publicitária. Agora esbraveja entre dentes porque a torneira secou. 
 
Hartung tomou posse em 1 de janeiro passado e havia no salão São Tiago uma sensação de nostalgia. Parecia que tudo seria como antes. Pelo menos todo mundo daquela época gloriosa estava lá, todos se acotovelando e esperando o Diário Oficial trazer o nome para voltar ao poder. 
 
Mas, muito rápido, Hartung está percebendo que não estamos mais em 2003 e que o Espírito Santo mudou e mudou muito em quatro anos. Os estudantes estão mais conscientes, os deputados não são todos carneirinhos, e muita gente está esperando a tal “chacoalhada”. Tudo bem que ele não disse se ela seria em 2015, 2016 ou 2017, mas prometeu que ia sacudir o Espírito Santo e o povo quer isso para ontem. 
 
A maior diferença em relação a 2003 é que desta vez Hartung esticou demais a corda. Poderia ter encerrado a disputa eleitoral e tocado seu governo, mas decidiu continuar a peleja com o adversário. O problema é que não dá para colar um rotulo de crime organizado na testa de Renato Casagrande (PSB). 
 
E o socialista também não está disposto a engolir as afirmações de seu adversário e se recolher. Esteve sozinho por um tempo, mas com o advento das redes sociais, quem está sozinho, não é mesmo? De tanto Hartung insistir neste discurso, em vez de destruir Casagrande, acabou mantendo o ex-governador vivo no cenário político e agora não tem jeito, vai ter de lidar com ele. 

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