O governador Paulo Hartung (PMDB) encontrou um Espírito Santo bem diferente do que deixou, quando encerrou seu governo em dezembro de 2010. Neste novo mandato ele vem buscando alinhavar um discurso que pretende agregar a classe política e a sociedade, na busca de uma nova unanimidade que lhe garanta quatro anos de confortável governança. Mas está difícil encaixar esse novo discurso.
Primeiro tentou com a tal crise e pediu a unidade das pessoas de bem do Estado, mas esse assunto não foi além da aprovação do novo Orçamento do Estado, com cortes em áreas sociais, que fizeram com que a sociedade torcesse o nariz para o que sua equipe chamou de “medidas de austeridade”.
Agora, com a estiagem e os níveis insuportáveis de pó preto no ar, Hartung toma o discurso da busca de uma “construção coletiva”, mas isso pode lhe trazer uma enorme dor de cabeça para o governador, já que mexe com grandes empreendimentos, com os quais ele sempre teve uma relação muito próxima.
O fato é que passado quase um mês de seu governo e mais três meses de transição, em que ele já estava atuando como se já fosse o titular da cadeira, Hartung não tem conseguido juntar todos os elementos de seu arranjo institucional e político, como fez em 2003. O cenário é outro e a atuação do governador também tem de ser diferente.
Conseguiu êxito na Assembleia, mas teve de engolir Theodorico Ferraço (DEM). Não teve como colocar a mão em um deputado e impor sua vontade, como fez com Claudio Vereza (PT), Cesar Colnago (PSDB), Guerino Zanon (PMDB) e Elcio Alvares (DEM), presidentes da Assembleia em seus mandatos anteriores.
É verdade que ele conseguiu desmobilizar o bloco contrário ao seu interesse não só na eleição da Mesa, como também na composição das comissões permanentes, mas teve que usar de jogo de cintura para conseguir impor sua vontade.
Venceu, influindo em todos os espaços da Casa, contando com a movimentação dos aliados no Legislativo para conquistar sua vitória no primeiro round. Mas a luta ainda não acabou e outros enfrentamentos virão pela frente.
Fragmentos:
1 – Um dos principais aliados do governador Paulo Hartung, Robinho Leite está interino na Secretaria de Turismo, mas há quem diga que já tem destino certo depois do emprego temporário: está cotado na reforma administrativa da Prefeitura de Vitória, de onde está afastado desde aquele escândalo que culminou com a CPI da Lama.
2 – Por falar em interino, na Secretaria de Esportes, Valdir Klug não tem suado muito a camisa, cumprindo sua função de esquentar a cadeira para o secretário definitivo. Também, com um orçamento 78,4% menor, vai fazer o quê?
3 – Tem deputado novato cheio de expectativa sobre o mandato, pode sofrer uma grande decepção ao perceber as limitações de sua função parlamentar.

