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Pacto com o atraso

Seria até louvável a intervenção da Comissão de Meio Ambiente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) num caso que envolve fazendeiros e a Prefeitura de Linhares em torno de um aterro sanitário, se não fosse a sua negligência com a poluição do ar na Grande Vitória que, diferente de incomodar fazendeiros, destrói pulmões e produz inúmeras doenças na população, com maior extensão a crianças e aos idosos.  
 
A ponto de não existir em Vitória uma única família que não tenha um parente atingido pelas emissões ou residências tomadas pela sujeira do pó preto que parte das usinas da Vale e ArcelorMittal na Ponta de Tubarão. Nas vezes em que a OAB se manifestou nesses casos, foi com absoluta timidez, mal foi notada. 
 
Junta-se, também ao cenário, a negligência do poder público. A cumplicidade com as grandes poluidoras é grande. Basta olhar para os últimos prefeitos da Grande Vitória, com especial destaque para os da Capital, onde a poluição é mais carregada e devastadora. Nesse extenso manto protetor, também está o governo do Estado.
 
O recente caso de impedimento da CPI do Pó Preto na Assembleia Legislativa, que daria maior visibilidade ao tamanho dessa poluição, é apenas mais um exemplo. O governo jogou contra a CPI com toda a força de seu controle sobre os deputados. O destino dela não foi outro, senão uma escura gaveta dos arquivos da Casa.
 
Há anos as poluidoras estão impunes, com a perversa liberdade de gerar a poluição necessária para garantir seus lucros astronômicos. As compensações vão para as campanhas eleitorais. Recebem donativos os políticos que formam um cordão protetor dessa poluição, tanto em disputas majoritárias quanto proporcionais.
 
Não estamos incluindo a OAB-ES nesta farta distribuição de grana, mas sim no rol dos omissos a uma poluição inconsequente e danosa, do ponto de vista da saúde e do meio ambiente. Ignora o principal problema ambiental do Estado, mas parte para atuar no interior, em Linhares, num caso absolutamente controverso, em que fazendeiros se sentem lesados com um aterro sanitário, vendo-o como um lixão. 
 
Esse comportamento da Ordem capixaba não é isolado nesses períodos da gestão de Homero Mafra. Também se faz presente em outras áreas, como na Comissão de Direitos Humanos, face ao que ocorre no sistema prisional e nos diretos à liberdade de expressão, entre outros atentados.  
 
Enveredou-se a OAB de Mafra pelo corporativismo na relação da categoria com o Poder Judiciário. Para que pudesse atuar nessa área, a Ordem de agora, por ocasião da Operação Naufrágio, que trouxe a furo uma antiga  corrupção em altos setores do Judiciário, foi o para-raio, evitando que um maior número de desembargadores fosse alcançado.
 
O presidente da Ordem trocou uma opção política por outra meramente corporativista, capaz de assegurar longevidade à sua liderança, assim como para seus aliados. Uma passagem de tempo que traz consigo a adulteração da história da militância política de quem, como ele, esteve presente na luta pela redemocratização do País. 

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