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‘Palhaçada’

O deputado eleito Amaro Neto (PPS) resumiu em uma só palavra a “paradeira” da Assembleia que já dura 15 sessões: “palhaçada”. Em entrevista ao jornal A Gazeta (17/10/2014), Amaro comentou a manobra dos deputados ligados ao governador eleito Paulo Hartung (PMDB) para obstruir as votações. “Está um final de feira na Assembleia, com deputados trancando pauta por causa do novo governador. Acho essa atitude uma palhaçada”.
 
As declarações do novo parlamentar foram mal recebidas por alguns deputados, que aproveitaram a sessão desta segunda-feira (20), que também foi esvaziada, para reprovar as críticas disparadas peo futuro colega. 
 
Embora os parlamentares contrários à obstrução das votações tenham se irritado com tom da crítica de Amaro, eles não podem perder o foco no autor da manobra. Não é segredo para ninguém que a manobra é orquestrada pelo governador eleito, que manipula o deputado Paulo Roberto como um ventríloquo para obstruir as votações. Como disse o deputado Cláudio Vereza (PT), Hartung está jogando a imagem da Assembleia na vala.
 
Os aliados de Hartung desconversam, e alegam que a obstrução é um recurso previsto no jogo político. A deputada Luzia Toledo (PMDB), na sessão desta segunda, preocupada em fazer a defesa do governador eleito, tirou do fundo do baú um exemplo para justificar a normalidade da manobra. Ela recordou que o então senador Dirceu Cardoso (que dá nome ao plenário da Assembleia) obstruiu sessões do Senado por nove meses. 
 
Faltou a deputada ponderar a comparação e explicar que a manobra em curso na Assembleia é, no mínimo, antiética, porque é orquestrado por Hartung, que ainda não assumiu o governo. 
 
Hartung precisa entender que o mandato dado pelo povo ao governador Renato Casagrande (PSB) é legítimo e só acaba no dia 31 de dezembro de 2014. O governador eleito está ingerindo na atual gestão do governo e no trabalho dos deputados. Os projetos que estão em andamento devem ser votados normalmente por essa legislatura. 
 
É curioso que o governador eleito é o primeiro a gritar para defender a transição civilizada, mas atropela a ética ao imiscuir rasteiramente no trabalho da Assembleia. Ao exigir que todos os projetos em andamento passem pelo crivo de sua equipe de governo antes de serem liberados para votação, Hartung está pondo em xeque a competência do atual governador e do Legislativo. Isso sim, uma tremenda “palhaçada”. 

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