É claro que a classe política capixaba tem se apresentado para buscar soluções e se oferece para debater a onda de lama. Tudo acontece em meio à comoção causada pelo crime ambiental cometido pela Samarco/Vale em Mariana/MG com o rompimento da barragem de rejeito de minérios que vem descendo e matando tudo que encontra pela frente rio Doce abaixo.
Sem falar nos danos causados às populações das cidades cortadas e abastecidas pelo rio. Não dá para tentar defender a empresa. O prefeito de Anchieta, Marcos Assad (PTB), tentou fazer isso e saiu chamuscado. Mas passada a onda de lama, feito o “engana bobo” da multa para a empresa, a classe política não vai mesmo aprofundar o debate sobre o risco do modelo econômico adotado no Espírito Santo.
E isso vai além do financiamento de campanha. A compra do comprometimento de deputados, senadores, governadores e até a Presidência da República é só uma pequena parte de tudo que está envolvido nesta imbróglio. Para discutir a questão como se deve é preciso rever tudo aquilo que a classe política escolheu como o modelo de economia adotado no Espírito Santo, sobretudo na última década.
Metade da economia capixaba, em relação ao PIB, vem das atividades de exportação. A concentração das exportações em commodities chega a mais de 80%. A situação não parece incomodar muito a classe política que acredita que esse é o caminho para o futuro do Espírito Santo.
Passada a polêmica inicial todos os esforços vão se voltar para a melhoria na infraestrutura logística do Espírito Santo. É preciso voltar à questão da duplicação da BR 262, a construção da ferrovia que Vitória-Rio de Janeiro e, é claro, porto de águas profundas.
Nada disso é voltado para melhorar a situação da população, mas sob o falso argumento de que essa política vai resolver todos os problemas do Estado, colocando-o em outro patamar de desenvolvimento, provendo emprego e renda para todos, se esquece o desastre ambiental… até outro acontecer. Aí voltaremos a outro discurso temporário.
Fragmentos:
1 – O ex-governador Renato Casagrande (PSB) participa nesta terça-feira (17), às 19 horas, de um bate-papo online da Fundação João Mangabeira sobre o genocídio da população negra no Brasil – pelo site www.tvjoaomangabeira.org.br.
2 – Do deputado Sérgio Majeski (PSDB) sobre o anúncio do secretário de Educação Haroldo Rocha sobre a liberação de R$ 40 milhões para manutenção das cerca de 500 escolas estaduais: “Já visitei 114 escolas, grande parte precisa de reformas profundas e não de manutenção, fora a falta de infraestrutura”.
3 – Quando se olha para a cor da água que antecede à chegada da lama das barragens rompidas em Mariana/MG ao Estado não dá para confiar na garantia do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, de que não há contaminação.

