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Sábado, 24 Outubro 2020

Para dançar o fado

A manobra da cúpula do Ministério Público Estadual para satisfazer o sonho do promotor Marcelo Zenkner de estudar na Europa, além de ilegal, é vergonhosa. A instituição dá mais um exemplo flagrante de que alguns “protegidos” de Fernando Zardini gozam de verdadeiros privilégios.



O promotor queria porque queria fazer doutorado na melhor faculdade de Direito de Portugal, mas não podia. O próprio regimento interno do MP e as pendências que Zenkner responde na Justiça eram impedimentos mais do que suficientes para jogar por terra o seu sonho de especialização em Lisboa. Mas, recorrendo à máxima do “pra tudo se dá um jeitinho”, a cúpula do MP fez das tripas coração para não frustrar o sonho do jovem promotor.



Zenkner formulou o pedido em cima da hora, em junho deste ano. Ele pleiteava uma licença renumerada (R$ 24 mil mensais) de 18 meses para fazer o doutorado. Zardini, mesmo sabendo que a demanda precisaria ser submetida ao Conselho do MP, simplesmente pulou essa fase do processo. O promotor-chefe do MP sabia que seus colegas de Conselho não iriam se contrapor a um pedido tão nobre. Afinal, o promotor só queria estudar.



Além de rasgar o regimento interno, os amigos de Zenkner também precisaram “zerar” a ficha do promotor, que precisava de uma certidão negativa para obter a licença remunerada. A certidão assinada pelo corregedor-geral do MPES, procurador Elias Faisal Júnior, à época, dá fé que o promotor “não respondia a nenhuma sindicância ou procedimento disciplinar nos últimos 365 dias”, condição indispensável para o magistrado deixar o país. Pronto, estava tudo arranjado, mesmo sabendo que Zenkner respondia a um processo administrativo disciplinar e a uma sindicância, essa última instaurada pelo Conselho Nacional do MP.



Diante de tantas irregularidades, mesmo Zardini precisou de tempo para articular todas as manobras necessárias. Tanto que a formalização da autorização só saiu no final de outubro, ou seja, quatro meses após o pedido. A esta altura, Zenkner já estava de velho assistindo às aulas em Lisboa e dançando o fado como ninguém. Afinal, essa era apenas uma licença protocolar, a palavra, que vale mais, já havia sido empenhada, o que garantiu que o promotor cruzasse o Atlântico ainda em julho, menos de 30 dias após a solicitação.

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