As manifestações que ganham as ruas de 11 capitais brasileiras, incluindo Vitória, reuniram uma multidão para protestar contra a atual situação das coisas. Uma característica do movimento é justamente o de não ter um cunho partidário. Mas, evidentemente, os oportunistas de plantão já tentam se apropriar do movimento para tentar capitalizar politicamente para 2014.
E não há dúvida que da mesma forma que isto estará na pauta nacional, vai servir também para capitalizar em um cenário tão incerto quanto o que se desenha para o Estado em 2014. Esse cuidado o movimento deve ter. Há muita gente interessada em se apropriar dos protestos.
É verdade que falta um foco, uma condensação, porque as pautas são muitas. Mas o movimento quer levar às ruas as insatisfações. Fica claro o cansaço e a saturação com a falta de representatividade das lideranças e dos partidos políticos.
Houve também durante o protesto uma busca do simbolismo. A partir do momento em que os manifestantes tomam ou tentam tomar os prédios institucionais, deixam um recado bem claro para a classe política de que não tem mais condições de representar a população.
E a culpa é de quem? Dos próprios partidos, ao permitirem que o jogo eleitoral assumisse uma postura extremamente personalista, passando por cima das ideologias que suas siglas deveriam defender, perderam força e as movimentações políticas se restringem hoje ao poder pelo poder.
O esvaziamento da CPIs do Pó Preto e do Posto Fiscal de Mimoso do Sul, na Assembleia Legislativa do Estado, mostra isso. Em nome do financiamento de campanha do próximo ano e pela permanência no grupo político de unanimidade, os deputados sequer cogitam a possibilidade de fiscalizar o Executivo e de cobrar providências sobre um tema que põe em risco a saúde da população.
Enquanto as lideranças políticas lutam para se manter penduradas em um sistema que começa a mostrar sinais de falência, a população se auto-organiza, toma as ruas e leva o debate político para outro âmbito. E esse espaço de debate ainda não foi entendido pelos políticos tradicionais. De uma hora para outra, o inverno brasileiro está se transformando em primavera.
Fragmentos
1 – O movimento no Estado só cometeu um pequeno erro: o governador Renato Casagrande não estava na Residência Oficial da Praia da Costa. Mas valeu pela simbologia.
2 – Com o parecer da Procuradoria da Assembleia pelo precatório dos 11.98%, o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), corre o risco de perder seu último foco de apoio no Legislativo: os servidores.
3 – Ferraço foi eleito com apoio do funcionalismo por conta justamente da promessa de resolver o imbróglio da reposição. Não conseguiu e agora vai ter de se explicar.

