A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou no mês de julho que 63% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que destas, 18,9% estão com contas atrasadas e, considerando que a inadimplência representa dificuldade ou descontrole financeiro….Como fazer para enfrentar?
Em momentos de dificuldade financeira, antes que se pense em contratar qualquer tipo de empréstimo, o ideal é verificar se há possibilidade de pedir auxílio a parentes próximos ou a amigos, considerando àqueles que possuem reserva aplicada. Ainda no plano ideal, o melhor é identificar quem tenha reserva aplicada em caderneta de poupança, pois, a sua correção é menor do que os juros aplicados nos empréstimos bancários, o que possibilita uma situação mais “suave” para o devedor. O acordo pode ficar estabelecido, seja verbal ou formal, de que o dinheiro emprestado será corrigido pelos valores da poupança, tal como já estaria.
Onde reside o risco? Na ocorrência de imprevistos, tais como: desemprego, doença na família, redução na renda familiar e até mesmo, nos cálculos mal feitos. Para resguardar as partes, evitando-se com isso que parentes e amigos desfaçam relações de anos, é imprescindível que antes de efetivarem o acordo, o devedor atualize seu orçamento doméstico, colocando lado a lado a(s) receita(s) e todas as despesas fixas, necessárias e imprescindíveis, em tempo de economia de guerra. Deve também relacionar todas as dívidas contraídas, das menores às maiores, detalhando as taxas de juros de cada uma, o valor das prestações e o número de parcelas.
Dessa forma se aproximará ao máximo do retrato real da situação financeira e será possível estimar o total necessário para sair do estado de dificuldade e/ou de descontrole financeiro.
Chegando a essa quantia, e conhecendo a sua capacidade financeira, poderá propor ao credor escolhido, que lhe empreste tantos reais, por tanto tempo, para ser pago da seguinte forma, reajustado por tal taxa. “O combinado não sai caro”.
Um quesito importante na avaliação do credor deve ser a quantidade de vezes em que o proponente solicitou o mesmo auxílio anteriormente. A grosso modo: quanto maior o número de vezes em que se recai no mesmo problema (de dificuldade ou de descontrole financeiro), maior a chance de cair novamente. Errar é humano, mas permanecer no erro… Tem algo de errado mesmo.
Por quê? Provavelmente, porque se o auxílio sempre chega, salvando-os, com isso não precisam passar “privações”, descerem o padrão de vida, organizarem suas vidas financeiras, mudarem o comportamento de consumo. Se no aperto tem a quem recorrer, porque não correr novos riscos? Se as contas não fecham, mas tem alguém que cubra o “buraco”, nem precisa descer do salto.
Quantas pessoas se apertam e fazem escolhas, para investirem no futuro e/ou em seus sonhos e acabam ajudando outras por agirem de forma diferente.
Que sentimentos envolvem essas situações? Solidariedade? Compaixão? Amizade? Gratidão?
Que resultados podem ser alcançados? A vida financeira organizada? Mudança do comportamento de consumo? Planejar antes de comprar ou de investir? Fazer reserva para lançar mão, por exemplo, caso surjam outros imprevistos?
Assim, vale a pena todo e qualquer sacrifício! O duro é ver reservas de uns servindo como combustível para alimentar os caprichos, luxos e maus hábitos de consumo de outros.
Dizer sim para o outro pode servir como um não para você.
Cuide bem do seu dinheiro, de você e dos seus.
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br
https://sites.google.com/site/saudefinanceiraivanamzon/

