Manhãzinha, saio para uma caminhada sob as frondosas copas das árvores seculares do Parque Moscoso. Benditas sejam! Ainda bonito e aprazível, o parque me traz recordações que se fixaram na memória como as raízes dessas árvores se agarraram ao chão. Ali num daqueles apartamentos do paredão de prédios ao lado, morou minha família; em outro morou um cunhado.
No antigo Jardim de Infância Ernestina Pessoa meu filho iniciou sua vida escolar. Sendo o mais velho da prole, foi também minha primeira experiência como mãe de estudante. A segunda filha também passou por lá e, por um erro de comunicação, um dia ela foi “esquecida” no colégio até bem tarde… e não teve jeito, nunca mais quis voltar lá.
Guardamos uma foto da turminha do meu filho, todos uniformizados, uma gracinha. Anos depois, uma namorada vê essa foto e se espanta – Olha eu aqui! Por essas complexas reviravoltas da vida, eles frequentaram juntos o primeiro ano escolar. O romance não deu certo, mas, se tivessem ficado juntos, essa história estaria rendendo até hoje. E não está?
O parque mudou muito desde aqueles tempos. Esbarro agora com uma turma de trabalhadores cumprindo a missão de mantê-lo limpo e bem cuidado. Falta, porém, o algo mais que faz a diferença. Entro em uma das pontes estreitas que o enfeitam, com passagem para uma só pessoa. Um gari vem pelo outro lado e entra depois, ignorando minha presença. Tive eu que andar de ré e lhe dar passagem.
Em outro momento, também numa trilha estreita, outro deles vem na direção oposta da que eu vou. Ele é jovem e forte, mesmo assim, tive eu que me afastar da rota para deixa-lo passar, ou ia ter uma colisão. Reconheço que estavam trabalhando, mas a boa educação cabe em qualquer lugar e serve a todos.
Leio nos jornais entrevista com a gerente do Hotel Copacabana Palace, outra relíquia secular, contando com estão preparando os funcionários para receber os turistas da Copa. Não basta aprender a dizer “uelcomi”, tem que aprender a não chamar todo hóspede de doutor. Pior ainda, de “tio”, né? Em tempo: o hotel está com a lotação esgotada.
O mesmo não acontece com os hotéis de São Paulo, onde a indústria do turismo diz estar no prejuízo. Culpam a Fifa, mas quem nesse país do futebol não está culpando a Fifa? Em todo caso, ouvi dizer que apenas 50% dos ingressos para os jogos da Copa foram vendidos. Culpa da Fifa?
De volta ao velho Parque Moscoso, de onde ainda não saí, observo a retirada da tropa de elite levando suas armas de limpeza, manutenção e conservação. O chão, porém, continuou salpicado dos resíduos que os frequentadores mal-educados espalharam – sacolinha de pipoca, pauzinho de picolé, uma meia furada, jornais rasgados, guardanapos de papel, sacolas vazias… enfim, o lixo ficou. Culpa da Fifa?

