Durante as eleições de 2012, a palavra de ordem era “mudança”. O povo pedia um caminho diferente, uma candidatura que trouxesse em sua essência um modelo alternativo, uma coisa nova. Naquele momento, talvez não se tivesse a imagem do que seria esse novo.
Embalada pelos ecos da “Primavera Árabe” e de outros movimentos mundo afora, a classe política acreditou que essa mudança era no sentido de trazer gente nova para a política, retirando dos cargos quem se perpetuava no poder.
Mas pelo tom reacionário das últimas manifestações, com pedidos de retorno, inclusive da ditadura militar, o que se viu é que, de novo, essa mudança não tem nada. O que parte da população quer é voltar um passo perigoso atrás.
Desconhecendo ou distorcendo a nefasta página da história do Brasil, que foi o período militar, gente que não viveu ou que não entendeu aquele momento quer o fim do governo civil. Daí a preocupação com o discurso que será usado pela classe política a partir da eleição do próximo ano.
A ideia é sempre a de buscar um discurso que se afine com o desejo do eleitor, e aí vale tudo, inclusive, passar por cima de direitos e garantias. Com a precarização cada vez maior da educação e a má utilização das informações que circulam de forma fácil, porém superficial, e às vezes mal intencionadas, o risco de retrocesso é cada vez maior.
As críticas que antes eram voltadas ao PT – partido que governa –, agora se estendem também à oposição. No Espírito Santo e em outros estados, pessoas ligadas ao PSDB foram retiradas do movimento, mostrando que a revolta é contra os partidos como um todo.
Mesmo não sendo um modelo perfeito, o sistema político, baseado no enfrentamento de ideias partidárias, é ainda o modelo mais justo. Eliminado isso, estaremos dando passos largos a um destino que já se mostrou em outra época ser o pior para o controle governamental.
Fragmentos
1 – É difícil acreditar que três anos depois da Operação Lee Oswald, em Presidente Kennedy, nada aconteceu com os nomes envolvidos. O ex-prefeito Reginaldo Quinta, inclusive, se conseguir escapar da manobra da Câmara de Vereadores, estará livre para disputar a eleição.
2 – Com pouco mais de cem dias de governo, o Facebook do governador passou de vitrine bajulada a muro das lamentações. Só tem reclamação de eleitor.
3 – Já no Facebook de Renato Casagrande (PSB), o que se vê de elogios não está no gibi. Isso é que dá disputa polarizada, um sobe e o outro cai.

