Uma coisa ficou bem clara na distribuição das vagas das comissões permanentes da Assembleia Legislativa, a determinação do Palácio Anchieta em limar do debate os deputados que têm se colocado em desalinho com o governador Paulo Hartung (PMDB). Neste caso, ficaram desprestigiados na divisão os deputados Sérgio Majeski (PSDB), Josias Da Vitória (PDT), Theodorico Ferraço (DEM), Freitas (PSB) e Bruno Lamas (PSB).
Uns mais, outros menos, os deputados não estão satisfeitos com o tratamento do governo. Mas para quem ficou pior, para os deputados que perderam espaço ou para o governo que passou recibo de que não respeita a opinião dos deputados opositores?
Como bem disse o deputado Sérgio Majeski (PSDB), ele não precisa de uma comissão para fazer seu trabalho de fiscalização e crítica ao governo. O deputado Theodorico Ferraço (DEM) também mostrou que, na planície, pode incomodar muito mais o governador do que na cadeira de presidente da Assembleia.
Com essa postura, Majeski, que chegou à Assembleia com pouco mais de 12 mil votos, só aumentou o capital político. Já os deputados da base governista vão precisar de muita articulação política para se acomodarem em coligações que lhe garantam a reeleição, mas, se não entregarem nada em suas bases, vai ser difícil convencer o eleitor a lhes darem mais uma chance.
E o problema para o governador pode ser bem maior do que imagina. Se antes Majeski pregava sozinho no deserto, os acontecimentos do mês de fevereiro podem ter criado um grupo desalinhado ao Palácio Anchieta, que não chega a ameaçar a governabilidade de Hartung, mas pode trazer desgaste para a imagem do governador, que já sofreu um sério trincado em sua vitrine política.
Com uma base governista fraca, uma liderança de governo sem jogo de cintura, uma Mesa Diretora inexperiente e uma Casa Civil sem nada para oferecer, o Palácio Anchieta pode ter um problema onde menos esperava encontrar, justamente no patinho feio do arranjo político: a Assembleia Legislativa. Quem diria.

