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Paulinho Paz e Amor volta a ser Hartung

Paulinho Paz e Amor voltou a ser Paulo Hartung. O governador abandonou o personagem “do bem”, usado durante a campanha eleitoral e nos momentos de “benevolência” do seu governo, para mostrar sua verdadeira face autoritária. No lugar do “abraço fraternal”, o governador autorizou a polícia a reprimir um protesto pacífico da população com bombas de gás lacrimogêneo, tiros de borracha e outros aparatos de violência com prisões de lideranças comunitárias e tudo o mais — como manda o figurino de governantes autoritários.
Paulo Hartung mostrou, mais uma vez, que é um governante truculento, que resolve os impasses tão próprios à democracia com violência e pavio curto, como aconteceu na manhã desta segunda-feira (25), na altura do Km 62 da BR 101, em São Mateus, norte do Estado
Cerca de 500 moradores do distrito de Boa Esperança e região, sobretudo famílias de pequenos agricultores e quilombolas, decidiram ocupar a rodovia federal em protesto contra a paralisação das obras da ES 315, que liga os municípios de São Mateus e Boa Esperança.
Historicamente, as comunidades esquecidas do extremo norte do Estado se valem da estratégia de fechar a BR 101 como último recurso para chamar a atenção da mídia e, consequentemente, das autoridades sobre seus problemas. Quando a população recorre à interdição da rodovia é porque a via do diálogo com o poder público se esgotou há muito tempo.
Até que as comunidades que reivindicam a conclusão da vicinal estadual têm sido tolerantes com o governo Hartung. As obras da rodovia estadual foram iniciadas ainda no governo de Renato Casagrande (PSB). Em 2014, último ano do governo socialista, foram entregues cerca de 40 dos 65 km da rodovia. Mas o governo Paulo Hartung paralisou as obras quando assumiu o comando do Estado, em janeiro de 2015, frustrando a população, que passou a reivindicar a conclusão da estrada que tem importância vital para o escoamento da produção agrícola para São Mateus — cidade-polo mais importante do norte do Estado. 
Como disse um morador de Boa Esperança à reportagem de Século Diário, a manifestação é uma ferramenta legítima nas democracias para a população reivindicar suas demandas. O manifestante, que estava no protesto na companhia da mulher, não entendeu a violência desproporcional da polícia. Ele achava que estava apenas exercendo seu direito à cidadania. Mas a polícia de Hartung não interpretou assim.
Desde a campanha eleitoral de 2014, o governo Hartung vem tentando melhorar sua imagem social. Além da estratégia de criar um Paulo Hartung mais humano, os marqueteiros procuram mostrar que as ações sociais são prioridades neste terceiro mandato.
Mas assim como o “Paulinho do abraço” é apenas um personagem, as iniciativas sociais não passam de programas de vitrine — caso do Escola Viva ou do Ocupação Social. 
O verdadeiro Paulo Hartung, o governo que pôs as masmorras do Espírito Santo no mapa mundial das violações aos direitos humanos, é o mesmo que deixa trabalhadores do campo quase um mês plantados no estacionamento da Secretaria de Educação (Sedu) à espera de dois dedos de prosa com o governo. 
Nesse episódio, depois de tanta persistência, os camponeses foram para a tão aguardada audiência e se depararam com um governador avesso ao diálogo, que teve a petulância de deixar seus interlocutores falando sozinho na sala de reunião. Esse é o mesmo Hartung que ignora a pauta dos servidores públicos, que não tem humildade sequer para ouvi-los. 
Mas isso não deveria ser mais surpresa para ninguém. Ou alguém ainda acreditava no Paulino Paz e Amor? O verdadeiro Paulo Hartung é esse que ordena que as forças policiais ajam com truculência para mostrar quem é que manda neste Estado. 
A população além das divisas do Espírito Santo precisa saber que o governador que vem “plantando” notícias na imprensa nacional como o gestor moderno e inovador que conseguiu domar a crise, não passa de um governante autoritário, proponente e que vem conquistando resultados contábeis positivos à custa da contabilidade criativa e a cortes lineares em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Como a paralisação das obras na ES 315, no norte do Estado. 
Esse é o modelo de governo que Hartung tenta vender para o resto do País. O que ele chama de “farol para o Brasil”, está mais para luz de ré. 
 
Em tempo: os deputados não soltaram um único pio sobre a pancadaria em São Mateus na sessão desta segunda-feira (25) na Assembleia. Nem os que têm reduto eleitoral na região.

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