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Paulo Hartung fecha o cerco

Até a véspera do dia 29 de junho, data da convenção do PMDB que confirmou Paulo Hartung candidato ao governo, muita gente ainda tinha dúvida se ele entraria numa eleição que tem tudo para ser acirrada. Muito diferente da eleição de gabinete que o reelegeu em 2006, no confortável arranjo da unanimidade. 
 
Toda essa incerteza não era exagerada. Hartung temia que os esqueletos encerrados durante os seus dois mandatos à frente do governo do Estado começassem a sair do armários com a deflagração do processo eleitoral. 
 
Tão logo o ex-governador formalizou seu registro no Tribunal Regional Eleitoral, as primeiras denúncias começaram a pipocar. As denúncias apontavam divergências de informação entre as declarações de bens apresentadas pelo candidato do PMDB em 2006 e 2014. 
 
O jornal eletrônico ES Hoje (que também edita um versão impressa) e o blog do jornalista Elimar Côrtes publicaram reportagens questionado a eventual supressão dos valores relativos à venda de um apartamento de luxo no Barro Vermelho, bairro nobre de Vitória.
 
O advogado do candidato, Henrique Herkenhoff – que compartilha a direção de um site de notícias (leiase.com.br) com a marqueteira de Hartung, a jornalista Bete Rodrigues -, sustentou que a intenção dos veículos era promover uma “propaganda eleitoral negativa” do ex-governador. Segundo ele, o intuito seria “desqualificar o candidato perante o eleitorado capixaba, promovendo ataques brutais à dignidade de Hartung, a fim de influenciar no resultado das eleições”.
 
Os argumentos apresentados por Herkenhoff foram prontamente acatados pelo desembargador Carlos Simões Fonseca, do TRE-ES, que determinou a retirada do ar dos conteúdos. Trocando em miúdos, no melhor estilo do anos de chumbo, o desembargador censurou as reportagens que tinham o intuito de esclarecer à sociedade a discrepância das informações apresentadas na discriminação dos bens dos candidatos. 
 
A declaração de bens de Hartung, pasmem, mostra que o ex-governador empobreceu de 2006 para cá. Segundo informações divulgadas no site do TRE, Hartung “perdeu” mais de R$ 300 mil entre os anos de 2006 e 2014. Justo ele que se considera o Adam Smith da economia capixaba, não conseguiu transferir toda essa expertise para suas contas pessoais. 
 
Erros de cálculos à parte, o fato é que Hartung, quando decidiu entrar numa disputa polarizada, sabia que esqueletos poderiam sair do armário a qualquer momento. E preparou um plano para neutralizar todos aqueles que, porventura, ousassem passar seu governo a limpo. 
 
As primeiras vítimas destas eleições (ES Hoje e Elimar) já sentiram na pele que expor os esqueletos de Hartung pode custar caro. 
 
Século Diário, em protesto à censura imposta aos dois veículos, se sentiu na obrigação de publicar reportagem nesta quarta-feira (16) que “desmonta” os argumentos de Herkenhoff.
 
Este jornal, que desvelou o imbróglio envolvendo a transação imobiliária de Hartung em 2011, cumpre sua função jornalística de esclarecer à sociedade a verdade sobre os fatos. O desembargador se sustenta na tese de que o negócio foi investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). A reportagem de Século Diário teve acesso ao ofício assinado pelo procurador da República, Fernando Amorim Lavieiri. No documento, assinado no dia 4 de agosto do ano passado, o representante do MPF somente declinou da competência da Justiça Federal por entender que “não há, na narrativa, qualquer elemento que permita supor que a conduta causou lesão a bem, serviço ou interesse da União”. No entanto, o procurador, em nenhum momento, desconheceu os fatos, pelo contrário. Ele afirmou, textualmente, que as transações imobiliárias foram devidamente registradas em cartório.
 
Resumindo, a impressionante operação em que Hartung escritura um apartamento de luxo no valor de R$ 48 mil e vende, no mesmo dia, por R$ 2,1 milhões, existiu. Isso nunca foi negado pelo procurador federal. 
 
Entretanto, como é difícil mesmo para um advogado com a competência de Herkenhoff explicar a misteriosa transação, a estratégia escolhida foi a censura aos dois veículos. Quando faltam argumentos para se defender de uma denúncia incontestável, a saída para aqueles que são avessos à democracia é se valer do expediente de calar o denunciante para que os fatos não se propaguem.
 
Muitos esqueletos devem sair do armários até 5 de outubro. Porém, se a estratégia de Hartung funcionar, novas decisões da Justiça surgirão para aplacar a verdade.
 
 
 
 
 

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