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Pedalando rumo ao Norte

Essa não consta do Google nem está em dicionário, mas na Alta Mogiana, no noroeste paulista, a palavra “meirelles” é sinônimo de “banguela”, o ponto morto da caixa de câmbio dos veículos automotores. Por que? Porque, nas descidas, as pessoas dispostas a fazer economia colocam a alavanca “na meirelles” para poupar combustível…
 
Parece incrível, mas foi assim que o senso de humor dos mogianos maledicentes inventou uma maneira de ironizar a mania de economia – sovinice, segundo alguns — de membros de uma das famílias mais antigas do Estado de São Paulo. Evidentemente, há outros sobrenomes igualmente sonoros no rol dos “mãos-de-vaca”, “pães duros” ou “unhas-de-fome”, mas por algum motivo desconhecido a ironia prosperou em torno do sobrenome que esbanja a letra “e” e não poupa o “l”.   
 
Aplicando a ironia mogiana ao Planalto Central do Brasil, inclinamo-nos a concluir que o ministro da Fazenda, que ostenta o tal sobrenome “econômico”, não está fazendo a chamada “lição de casa” recomendada por nove entre dez economistas. Recordemos.
 
De início, em maio de 2016, ele anunciou a intenção de botar o orçamento nacional “na meirelles”; na prática, depois de passar uma boa temporada “contingenciando (segurando) recursos”, vem fazendo sucessivas “pedaladas orçamentais” para atender às conveniências político-eleitorais do seu chefe, o vice-presidente da República em exercício, obrigado a liberar emendas para integrantes de suas bases eleitorais – cada vez mais caborteiros (velhacos, no jargão equino).
 
Devemos pensar em impichar Temer por andar por aí pedalando com verbas orçamentárias? Bobagem. Com Henrique Meirelles choferando a Fazenda, o vice-presidente vai acabar concluindo facilmente seu mandato graças ao jeitinho brasileiro de liberar dinheiro público para atender emendas parlamentares — uma forma disfarçada de irrigar currais eleitorais de deputados e senadores.
 
Acelerando aqui, freando ali, Sua Excia vai percorrendo o caminho para chegar ao fim do mandato em 31 de dezembro de 2018. Se sua popularidade ganhar velocidade com a retomada do crescimento econômico, é bem capaz de querer concorrer à presidência. Ou então indica como candidato o seu ministro da Fazenda, que não tem motivos pessoais para “andar na meirelles”, já que ficou rico trabalhando como executivo do Bank of Boston, cujas operações no Brasil foram adquiridas pelo Banco Itaú. 
 
Pedalando, pedalando, os brasileiros percebem que o sistema político vigente é um grande faz-de-conta. Fala-se em reformas mas o que se deseja, no fundo, é manter tudo “na meirelles”, sem mexer na essência das coisas ou agindo hipocritamente para produzir um retrocesso social, como vem acontecendo.
 
As mudanças socioeconômicas ocorridas nas gestões lideradas pelo PT estão praticamente desfeitas. É uma tragédia sem paralelo na História nacional.
 
A economia está em frangalhos após 40 meses de recessão. A presidência do país está nas mãos de um político fisiológico, líder de um partido de farsantes e espertalhões (com raras exceções como o senador Requião).  
 
Economistas começam a falar em retomada do crescimento, mas quem será beneficiado com o novo ciclo de expansão econômica, se ele se efetivar? Que a maioria não se iluda.
 
Os políticos atuantes no deserto de Brasília estão mais preocupados com suas demandas pessoais. Nas capitais dos estados, com raras exceções, os senhores representantes populares estão se preparando para praticar um novo assalto eleitoral em outubro de 2018.
 
Até quando os brasileiros se deixarão governar por quem não os representa de fato?  
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
Estamos na Meirelles, viajando sem estepe e com uma bússola viciada, rumo ao Norte

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