Não há uma única semana em que o governo do Estado não se envolva em alguma polêmica na área de educação. Mesmo com toda a contribuição da imprensa corporativa, a gestão Hartung não consegue esconder a sua inabilidade em lidar com uma demanda que ele mesmo criou ao trazer à tona a temática.
Bem antes da eleição de 2014, Hartung trabalhava sua imagem de governador da educação. Em 2006, em uma eleição sem concorrência, ele tentou emplacar a temática como bandeira de campanha. Mas ainda era cedo para abandonar a lucrativa veia do combate ao crime organizado, que permitiu que ele governasse por oito anos sem nenhuma contestação da classe política ou do movimento social.
Cerca de um ano antes da eleição de 2014, Hartung passou a escrever artigos sobre a temática, publicados no jornal A Gazeta. Semanalmente ele fazia uma explanação abstrata sobre o tema, sem tocar nas questões mais sensíveis do setor, com a falta de estrutura no Estado, a desvalorização e falta de preparação dos profissionais da educação, e a interlocução entre escola e família para garantir um aprendizado amplo e contextualizado com a realidade do estudante.
Hartung ganhou a eleição prometendo que o Escola Viva salvaria a educação capixaba. Mas a falta de atenção ao restante da rede e a política de gabinete e planilha empregada na Secretaria de Educação por Haroldo Correia levantaram a lebre para que o assunto ganhasse o debate na comunidade escolar.
Ao se observar bem de perto a política educacional de Hartung, é possível ver as semelhanças com o jeito Alckmin de gerir a educação, entregando à iniciativa privada, por meio das Organizações Sociais (OS), a gestão das unidades de ensino de São Paulo. Uma forma de minimizar o Estado e atender os aliados do poder econômico. Enquanto isso, 61 mil estudantes ficam aguardando a vez de serem atendidos, tendo as mínimas condições de frequentar suas escolas.
Essa que foi a bandeira de campanha de Hartung, é hoje a sua maior pedra no sapato. Embora tente passar o ar de que tudo está sob controle, o fato de o secretário de Educação não conversar com os segmentos poderá trazer ainda mais dores de cabeça para o governo e comprometer a vitrine política de Hartung. E não vai ser liberando a internet na sala de aula, que o governo vai engambelar a comunidade escolar.

