Estourou a bolha de Paulo Hartung (PMDB). O autor da façanha foi o senador Ricardo Ferraço (PSDB), ao fechar as portas para o governador ao bater o pé que é candidato à reeleição ao Senado. Esse movimento do tucano fez com que o plano de PH de assegurar uma das vagas no Senado fizesse água. Limitando-o a disputar um quarto mandato ao governo ou, o que parece mais factível, manter-se à frente do governo e completar o mandato, como fez em 2010. Numa espécie de último recurso para evitar o pior.
Isto ocorreu porque Ricardo, desta vez, não foi na onda de PH, que queria convencê-lo a candidatar-se ao governo, deixando o caminho livre para o Senado. Hartung queria fazer dupla com o senador Magno Malta (PR). A verdade é que a “família hartunguete” está se desmanchando.
Dessa família em desintegração, deve ter sobrado o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) e outros que são quadros de governo, não lideranças políticos clássicas que pdoer de fazer a diferença nesse jogo.
Em relação ao senador Ricardo, PH andou fazendo leituras equivocadas sobre os movimentos do tucano na direção do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), achando que ele estava blefando. Não estava.
O tombo que PH levou de Ricardo estendeu-se a outros quadros importantes ligados a ele. Pegou, por exemplo, o vice-governador César Colnago (PSDB), que estava contando os dias para se sentar na cadeira de governador com a desincompatibilização de Hartung, que não deve mais acontecer.
Como há pouco registrei, a família política de PH fez realmente água. Restou a ele recorrer às novas companhias. Referência ao seu chefe do gabinete na Casa Civil, o ex-deputado federal Zé Carlinhos da Fonseca (PSD), seu secretário de Agricultura, Octaciano Neto (sem partido, mas a caminho do PDT) e a atual secretaria do Tesouro Nacional e ex-secretária da Fazenda, Ana Paula Vescovi (sem partido)
São as suas novas companhias para tentar reconstruir uma nova família. Dá para fazer chegada? Ainda cedo para a avaliar. Mas de uma coisa estou certo, não há outra saída para PH. É aquela velha máxima: “quem não tem cão, caça com gato”. De outro lado, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) se beneficia, já que o seu partido caminha para uma aliança nacional com o PSDB do senador Ricardo Ferraço, visando a disputa à Presidência da República.
Tudo realmente conspira contra PH. Vamos considerar que dessa sua nova família saia o seu sucessor ao governo. Mas para ganhar, Hartung precisa de bons candidatos ao Senado. Pergunto: com quais ele poderia contar se o processo eleitoral fosse hoje? À primeira vista, não enxergo nenhum nome no horizonte. É importante definir esse nome. O candidato ao Senado é imprescindível para calçar o postulante ao governo. Parece que a saída será correr atrás do deputado Amaro Neto (SD). Tudo indica que deram uma apagada no apresentador de TV, e ele já teria perdido o time para entrar na corrida ao Senado.
Ainda sobre essa chave de braço que Ricardo Ferraço deu em Paulo Hartung, sobrou até para o pai dele. Theodorico Ferraço (DEM) teria sido aconselhado pelo filho a não fustigar um quarto mandato à frente da Assembleia. Ricardo sabia que a insistência do velho Ferração poderia complicar seu projeto à reeleição mais à frente.
A verdade é que o golpe de Ricardo em PH foi devastador e obriga o governador a se levantar rápido e se recuperar da tonteira. Vamos supor que PH entre na briga em condições de fazer seu sucessor. Mas para fazê-lo terá que ficar no governo até o final do mandato. Buscar a reeleição é uma hipótese improvável, para não dizer nula. Ele está desarmado de tudo para uma aposta de alto risco dessa monta, que significaria um quarto mandato. PH sabe que agora muita gente já sabe decifrar seus segredos.

