Data do 8 de março é um chamado à consciência coletiva
Por José Carlos Pigatti
O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data no calendário. É um chamado à consciência coletiva, o momento em que a sociedade precisa olhar para a realidade dura que muitas mulheres enfrentam todos os dias e decidir, de uma vez por todas, que a violência, a desigualdade e a exploração não podem mais ser toleradas.
Os números falam por si e gritam. O Relatório Anual de 2025 registrou 6,9 mil vítimas de feminicídio, entre casos consumados e tentados. Apenas no último ano, foram 1,4 mil feminicídios, o que significa quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil simplesmente por serem mulheres.
Ao mesmo tempo, a violência segue sendo uma sombra constante: 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência em 2025, atingindo mais de 37% das mulheres do país.
E muitas vezes, quando encontram coragem para denunciar, o sistema falha. Há relatos frequentes de mulheres que entram em delegacias com medo e saem ainda mais assustadas, desmotivadas a seguir com a denúncia, incapazes de enxergar uma saída para o ciclo de violência. Por isso, a luta não pode existir apenas em março, precisa acontecer todos os dias do ano.
É preciso exigir políticas públicas eficientes, estruturas de acolhimento dignas e autoridades comprometidas com a proteção da vida. Políticas que defendam mulheres e crianças não são gastos: são investimentos na garantia da vida e na construção de uma sociedade civilizada.
Também é impossível falar de justiça sem enfrentar a desigualdade política. Embora representem 51,5% da população brasileira, as mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Ainda assim, a bancada feminina responde por 44% da produção legislativa, preside oito comissões e ocupa espaços na Mesa Diretora. Entre os destaques está a deputada capixaba Jack Rocha (PT), coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara.
Outro tema central é a luta contra a escala 6×1, uma jornada que pesa ainda mais sobre as mulheres. Para muitas trabalhadoras, ela não é 6×1 é 7 x 0. Sete dias da semana trabalhados sem nenhum dia de descanso. Depois do trabalho formal, ainda recai sobre elas a maior parte do cuidado com a casa, os filhos e a família, fruto de uma estrutura histórica que naturalizou o trabalho doméstico como responsabilidade feminina. Combater essa desigualdade também é parte da luta pela emancipação das mulheres.
Nesse contexto surge o Pacto Brasil Contra o Feminicídio, lançado neste ano como um compromisso entre Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar a violência contra as mulheres em escala nacional. O pacto prevê fortalecer redes de proteção, garantir medidas protetivas mais eficazes, responsabilizar agressores com rapidez e enfrentar o machismo estrutural por meio da educação e da transformação cultural.
A defesa da vida das mulheres não é uma pauta de um governo, e sim da civilização. E é por isso que o Dia Internacional da Mulher precisa ser mais do que homenagens e discursos, deve ser um chamado à mobilização social de pais, avôs, tios, primos, netos, sobrinhos…
Que homens e mulheres se levantem juntos. Que trabalhadores e trabalhadoras caminhem lado a lado. Que a sociedade inteira diga, com firmeza: Basta de feminicídio, de violência, de desigualdade, e da exploração que transforma a vida das mulheres em jornada sem descanso.
Que este 8 de março seja um grito coletivo pela vida das mulheres, pela dignidade do trabalho e por um país mais justo. Porque quando as mulheres avançam, a sociedade avança.
E que deste dia nasça um compromisso permanente: homens e mulheres unidos na luta, nas ruas, nas famílias, nas escolas e nos trabalhos, com a consciência de que nenhuma mulher precisa ter medo de viver.

