
Cobram os deputados estaduais, cobram os servidores da área de Segurança Pública, mas o governador Paulo Hartung se nega a entregar a cabeça do secretário André Garcia. Pelo menos não assim, de bandeja. O discurso do governador, afastando qualquer possibilidade de tirá-lo do cargo, é que o comandante da pasta conduz com competência a área, inclusive a atual crise, apesar das muitas controvérsias. Uma tentativa de preservar o secretário ou a ele mesmo? Segunda alternativa. Hartung sabe que, a essa altura, tirar Garcia da pasta seria o mesmo que confessar a fragilidade de seu governo e ceder à pressão. Logo ele, ceder à pressão? Jamais! Nas internas, porém, o governador já começa a colocar Garcia de escanteio. À frente da secretaria envolvida diretamente com a guerra sangrenta instalada no Estado, o secretário não tem mais o poder de intervir nas negociações com os policiais militares. Após o decreto de intervenção federal, as ações do setor passaram a ser submetidas ao comando do general de Brigada, Adilson Carlos Katibe. Além disso, Garcia está fora do comitê criado pelo governo para abrir o diálogo com as mulheres à frente do movimento. O secretário não participou das rodadas de negociações dessa quarta e quinta-feiras (8 e 9). Depois de segurar o rojão sozinho porque o governador demorou a transferir o cargo ao vice César Colnago (PSDB), chama atenção que ele saia de circulação numa hora tão decisiva. E pensar que, até outro dia, ele estava na restrita lista dos pupilos preferidos de Hartung, hein?!
Outros 500
Agora se ninguém tivesse pedido, Hartung já teria derrubado Garcia por conta própria? Não coloco a mão no fogo.
Mundo paralelo
Enquanto o Estado vive o caos, no Facebook do governador tudo são flores. Nada sobre a grave crise na segurança que mantém os capixabas em cárcere privado desde o último sábado (3). Atestado médico até nas redes sociais?
‘Bombando’
Aliás, não é que o governador conseguiu virar notícia na imprensa internacional? Não do jeito que ele sempre desejou, mas…
Sem efeito
Depois da grande repercussão do “dia de ginástica” da primeira-dama Cristina Gomes, que causou indignação nas redes sociais e WhatsApp, a academia Victoria Sports resolveu divulgar uma nota. Informou que os seguranças armados eram da própria academia, e não de Cristina. Adianta alguma coisa?
Pergunta
A melhor estratégia era essa, mesmo, divulgar o nome da academia da primeira-dama?
Cadê?
Seis dias após o início da guerra instalada no Espírito Santo, com mais de 100 mortos e de 250 estabelecimentos roubados, permanece o silêncio ensurdecedor do presidente da República, Michel Temer. Nenhum pronunciamento, quem dirá uma visita. Surreal.
Sem rosto
Por falar nisso, quem são os mortos dessa guerra sangrenta, como estão suas famílias, de onde eles vêm? Por que não há qualquer informação sobre essa extensa lista?
Para pensar…
Do Padre Kelder Brandão, da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Vitória: “Estou aqui pensando: há quase oito anos estou em São Pedro e tem sido assim, com constantes tiroteios de dia e de noite, e tropeçando em corpos estirados nas ruas, becos e escadarias. Com greve ou sem greve da PM, a segurança pública nunca fez parte do cotidiano das periferias e não vai fazer depois que a greve da PM acabar (…)”.
Para pensar II…
(…) A greve da PM só democratizou a violência e está mostrando para todo mundo que o governo e a Polícia Militar estão pouco se lixando com a carnificina e tenho certeza que boa parte da sociedade também estaria se não tivesse correndo riscos. Enquanto os jovens, pretos, pobres e favelados estavam sendo exterminados, estava tudo certo e o ES era modelo de gestão e segurança para o país. Agora que a violência afetou todo mundo…”
Nas redes
“Alguém viu o ilegítimo ao menos se pronunciar sobre o caos que os capixabas vivem?”. (Deputado federal Givaldo Vieira – PT – no Facebook).
PENSAMENTO:
“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”. Sigmund Freud

