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Penduricalhos na pauta da greve

Os servidores do Judiciário perderam a paciência. Decidiram que no dia 6 de outubro a categoria entra em greve. Eles reclamam a reposição das perdas inflacionárias acumuladas em um ano, a falta de pagamento dos plantões – que são obrigatórios -, e o descaso com a valorização do servidor que é o responsável por fazer a máquina da Justiça funcionar.
 
O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sérgio Bizzotto, criticou a greve iminente da categoria. Ele destacou que os servidores capixabas são um dos mais bem remunerados, em comparação aos de outros estados. 
 
As declarações de Bizzotto gerou mais insatisfação na categoria, que planeja atingir o ponto vulnerável dos magistrados: o pacote de benesses conhecido também como “penduricalhos”. 
 
Na ações planejadas para a greve, os servidores prometem lançar um abaixo-assinado contra um dos “penduricalhos” mais escandalosos: o auxílio-moradia. Eles consideram imoral que juízes e desembargadores recebam R$ 4.370 mensalmente pela mordomia.
 
O protesto contra o auxílio-moradia deve constranger o presidente do tribunal. Bizzotto faz o discurso do caixa vazio para justificar que o TJES não tem como repor as perdas salariais dos servidores, mas, ao mesmo tempo, garante o pagamento do pacote de benesses aos membros do Judiciário. 
 
Durante os protestos, os servidores vão alertar a população que os magistrados, independente de terem ou não imóvel no local de trabalho, recebem quase seis salários mínimos de auxílio-moradia. O valor é o dobro do salário médio mensal do trabalhador brasileiro, que em 2015 é de 2.100. No Espírito Santo, esse valor cai para R$ 1.733, o que faz o auxílio-moradia ser mais de duas vezes e meia maior que o ganho médio mensal do trabalhador capixaba. Aliás, esse é quase o valor de outro benefício dos magistrados, o auxílio-alimentação, que é de R$ 1.679. 
 
Sempre causa indignação na opinião pública saber que um magistrado, além dos vultosos salários, recebe mais uma generosa quantia em “penduricalhos”. 
 
É paradoxal para o presidente do tribunal defender um discurso de austeridade quando seus pares ganham, em média, R$ 42 mil mensais (valores de maio/2015) entre salários e benefícios. 

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