Que os deputados federais estão discutindo uma reforma política para garantir suas reeleições, não é novidade, como também não é segredo que o distritão chega como uma fórmula para proteger seus mandatos. Mas na ânsia de legislar em causa própria, os deputados deram uma parada e pensaram melhor. Depois de aprovado na Comissão da Reforma Política da Câmara, o distritão deixou de ser uma ideia tão boa assim, por causa do prejuízo dos votos.
No sistema proporcional ainda acontecem algumas distorções, como, por exemplo, a não eleição de Vandinho Leite (PSDB) à Câmara dos Deputados na disputa de 2014. Ele foi o quinto mais votado, mas viu seu então colega de partido, Paulo Foletto (PSB), garantir sua eleição. Como a coligação não fazia duas cadeiras, Vandinho ficou de fora. Na regra do distritão, Vandinho estaria eleito.
Na opinião dos entusiastas do distritão, o modelo faz justiça a casos como o de Vandinho e acaba com o “efeito Tiririca” — quando um único candidato-puxador de votos elege outros sem-voto.
Mas o distritão também tem problemas. Com o fim das coligações e eleição dos mais votados, muitos votos poderiam ser desperdiçados. Também na bancada capixaba, peguemos o exemplo de Sérgio Vidigal (PDT), que em 2014 se elegeu deputado federal e ainda ajudou a puxar votos para a coligação, garantindo as eleições dos dois candidatos do PT: Helder Salomão e Givaldo Vieira. No novo sistema os três entrariam por estarem entre os mais bem votados. Já Evair de Melo (PV) e Marcus Vicente (PP) ficariam fora da bancada.
No caso do distritão misto, que é a nova proposta que começa a ganhar força desde a noite dessa quarta-feira (16) em Brasília, o eleitor poderia votar também na legenda. Esses fotos seriam distribuídos proporcionalmente entre os candidatos do partido, garantindo as vagas. Teríamos uma situação inusitada no Estado, que provavelmente não se repetiria em 2018. O partido que mais recebeu votos para a disputa de deputado federal em 2014 foi o PSB, com 267.008 votos. O partido tinha à época o governador do Estado, que embora não tenha sido reeleito, fortaleceu bem seu palanque proporcional.
Embora Vidigal tenha sido o mais bem votado, o PDT ficou em terceiro lugar, com 209.979 votos, o seu parceiro de coligação, o PT, que até então tinha a Presidência da República, foi quem ficou em segundo em número de votos, com 220.112 votos.
O PMDB de Paulo Hartung, que venceu a disputa ao governo, conseguiu 186.461 votos para deputado federal. Daí se percebe como a eleição proporcional é bem mais complexa do que se imagina e não trará soluções para o País com uma mexida aqui e outra acolá e, sobretudo, o que vemos não é uma reforma política, apenas mais um remendo na legislação eleitoral, para garantir as vagas dos grandes partidos e dos deputados que temem encarar o eleitor no próximo ano.
Fragmentos:
1 – A senadora Rose de Freitas (PMDB) está ocupando o protagonismo na discussão da privatização do Aeroporto de Vitória. Deve trazer dois ministros – Dyogo de Oliveira (Planejamento) e Maurício Quintella (Transportes) – ao Estado na semana que vem e não quer Hartung no evento. Rose disse que pretende trazer Temer ao Estado até dezembro.
2 – O Aeroporto de Vitória era para ser a grande obra do primeiro governo Paulo Hartung (PMDB), mas até hoje é uma novela sem fim para o Estado. Hartung pode chegar ao fim do terceiro mandato – sem contar o de Renato Casagrande, que também foi dele – sem conseguir resolver o problema. Ou pior, ver a desafeta política Rose de Freitas levar os louros.
3 – O ex-governador Renato Casagrande (PSB) tem andado com o ex-deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas a tiracolo em Brasília. O socialista também esteve conversando com a senadora Rose de Freitas. Em comum, os três querem manter distância de Paulo Hartung.

