Há sempre o outro lado da moeda e mais de uma opção de escolha. Para o positivo o negativo, para o lado direito o avesso, ou isto ou aquilo. No processo de (re)educação financeira existem os casos opostos/extremos, a partir da escolha feita.
É rotineiro escutar sobre os excessos, como na compulsão pelo consumo, que culminam no descontrole financeiro. Também encontro discursos que demonstram excesso de dedicação à formação profissional e ao trabalho, como uma “perseguição incessante e desenfreada” para a formação de reserva financeira, à custa de abdicações frequentes da convivência familiar, num mergulho profundo no trabalho.
Se de um lado há a compulsão pelo consumo, com tantos SIM (s) impensados e inconsequentes, do outro lado, há inúmeros NÃO (s) ao consumo, justificado pela falta de tempo e de oportunidade, por abdicações ou mesmo por avareza.
“Aos 40 anos superei os meus objetivos e construí um patrimônio maior do que o que sonhei, mas perdi a minha família. Eu trocaria tudo o que conquistei para recuperar a minha família.”
Essa fala demonstra antes de tudo um sentimento de pesar e a vontade de ter a oportunidade para fazer diferente. A famosa segunda chance.
A relação com o dinheiro é construída “em” família, a partir do diálogo sobre o tema, nos exemplos vivenciados e nos sonhos construídos. Cada família acaba desenhando uma relação com o dinheiro adaptada ao perfil dos seus membros. Quando há alguma disfunção nesse processo, quando algum dos membros da família adota uma postura oposta, seja no como conquista ou no como gasta o dinheiro, aí iniciam os conflitos familiares.
No “olho do furacão” destes conflitos aparecem as posturas e atitudes opostas na relação com o dinheiro. A visão de cada um parece se distanciar dia após dia. Como agravante, tem ainda àqueles que não conseguem entender a motivação para os conflitos, a exemplo dos filhos, que passam diariamente a vivenciar as discussões dos pais.
O que vem sendo tratado como estratégia para superar esse tipo de conflito, parte do diálogo familiar, expondo os fatores que motivaram as desavenças e superando-os, passando pela definição de um foco para o futuro e finalizando na tomada das rédeas financeiras da família. De novo e juntos no comando, munidos do orçamento familiar, controlando e qualificando as despesas da família, alcançarão a reversão do jogo e passarão a se motivarem rumo aos objetivos traçados para a família, e com isso, pouco a pouco se distanciarão das desavenças passadas.
O verdadeiro e prazeroso sonho é aquele que é sonhado em conjunto. Essa é uma boa receita para evitar conflitos familiares, porque ter o dinheiro e depois perdê-lo ou ter a família e desfazer-se por discordâncias em relação ao uso do dinheiro é inaceitável e pode e deve ser prevenido.
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br

