Em dezembro, o presidenciável Ciro Gomes vem ao Estado e, caso as conversas entre o PSB e o PDT avancem até lá, o pedetista deve desfilar ao lado do ex-governador Renato Casagrande. Isso pode colocar em risco a permanência do PDT de Sergio Vidigal no palanque do governador Paulo Hartung (PMDB), já que se espera uma influência da nacional nas articulações locais na disputa de 2018 como nunca se viu
Esse não é o único problema do governador para manter seus aliados no palanque. A Rede do prefeito Audifax Barcelos não pode ser considerada uma sigla próxima do Palácio Anchieta. Depois da declaração do prefeito da Serra de apoio incondicional à senadora Rose de Freitas (PMDB), Audifax tem mantido conversas apenas institucionais com o governador. Essa distância aumenta se a Rede consolidar as filiações dos deputados estaduais Sergio Majeski (PSDB) e Josias Da Vitória (PDT).
O PSDB hoje é uma incógnita para Paulo Hartung. A impressão dos meios políticos é de que os últimos episódios envolvendo a candidatura do vice-governador César Colnago à presidência estadual da legenda e a polêmica sobre a filiação dos membros do governo no partido sem a prévia discussão interna, esticaram demais a corda e a união de Ricardo Ferraço, Max Filho e Luiz Paulo Vellozo Lucas pode ameaçar o projeto de controle do ninho tucano.
No DEM, também houve uma forçada na barra, e Hartung descobriu que o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço, tem mais força dentro do partido do que ele supunha. A filiação por cima, via o presidente da Câmara Rodrigo Maia, não está sendo tão fácil como Hartung imaginava e os comentários são de que Ferraço está colocando o pé na porta.
O PT, outro aliado forte de Hartung desde 2002, também está fora do arco de alianças do Palácio Anchieta, pode até haver namoro escondido, mas a regra é para que o partido se afaste do Palácio Anchieta.
O PSB de Renato Casagrande não se alinha de jeito nenhum e leva com ele o PPS do prefeito de Vitória, Luciano Rezende. Até mesmo no PMDB o governador tem a batalha interna com a senadora Rose de Freitas pela frente.
O governador que sempre construiu suas campanhas políticas com um campo livre pela frente, desta vez, encontra dificuldades em agrupar todos os antigos aliados e pode ter de enfrentar vários palanques para disputar a reeleição. Isso sem falar no principal aliado de todos: o eleitor. Esse sim, Hartung encontra dificuldades grandes para reconquistar.
Fragmentos:
1 – Na última sexta-feira (2) o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede) recebeu os deputados federais Givaldo Vieira (PT) e Carlos Manato (SD). O motivo da reunião foi investimento baseado nas emendas dos parlamentares para o orçamento de 2018 da União.
2 – Mas, do ponto de vista político, a união dos principais adversários no município do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) deve ter acendido o sinal de alerta no grupo do pedetista. Se as conversas avançarem, o cenário pode ficar complicado no hoje maior colégio eleitoral do Estado.
3 – Já a conversa por cima entre PSB e PDT pode trazer o ex-governador Renato Casagrande para o lado de Vidigal. Com o desgaste de Hartung na Grande Vitória, esse pode ser um caminho forte para Vidigal em 2018. Isso se ele conseguir se desvencilhar do visgo do Palácio Anchieta.

