Muito se avalia no perde e ganha das eleições municipais a repercussão do resultado em Vitória, no capital político do governador Paulo Hartung (PMDB) e do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Como o prefeito Luciano Rezende (PPS) disputou a reeleição com o apoio do socialista, colocou-se essa vitória na conta do ex-governador. Mas a história não é bem assim.
Como também não é bem assim a história de que Hartung perdeu a disputa para Casagrande em Vitória. No primeiro caso, é preciso destacar que a aliança de Luciano com Casagrande não é um casamento com juras de amor eterno. O prefeito já começa a esboçar uma movimentação que vai colocá-lo na porta do Palácio Anchieta. Não vai governar isolado só porque Casagrande precisa se fortalecer para 2018.
Também não é verdade que Hartung perdeu para Casagrande. Hartung saiu derrotado em Vitória porque toda a sua estratégia política não deu certo desde o início do processo eleitoral. Seus movimentos não contavam com uma série de atropelos no caminho da disputa pela prefeitura.
Hartung inflou a candidatura de Amaro Neto (SD), acreditando que o deputado teria um teto de cerca de 30 mil votos na cidade. A intenção era desestimular Luciano Rezende, tirando-o da disputa ao segundo turno. Mas quando tentou furar seu balão de ensaio, ele já estava alto demais para ser alcançado.
Isso causou uma situação delicada com aquele que viria a ser seu verdadeiro candidato, o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), o primeiro a enxergar a ameaça que Amaro Neto seria na disputa. Ele pulou fora, magoado com Hartung, e levou seu capital para o palanque de Luciano Rezende. Junto com ele foram alguns tucanos importantes, como o deputado estadual Sérgio Majeski.
Então Hartung se afastou do pleito, percebendo que o jogo não era mais favorável e que Amaro Neto era uma ameaça política muito mais complicada do que Luciano Rezende. Não pode ser controlado e pode apresentar um perigo muito maior no futuro.
Hartung perdeu a eleição em Vitória em 2012, quando apostou suas fichas em Luiz Paulo. Este ano ele perde novamente, mas desta vez não para o grupo de Renato Casagrande, mas por tropeçar em suas próprias estratégias e por não saber medir o tamanho do fenômeno Amaro Neto.

